Testes do novo mecanismo da Reforma Tributária começam neste ano e devem exigir revisão de processos financeiros, fiscais e tecnológicos

A Reforma Tributária começa a sair do papel em 2026 com os primeiros testes do Split Payment, mecanismo que promete mudar uma das engrenagens mais sensíveis da operação financeira das empresas: a rota do dinheiro. Embora não represente aumento de carga tributária, a mudança altera a dinâmica do caixa ao fazer com que parte do valor de uma venda seja direcionada automaticamente ao Fisco no momento da liquidação financeira.
Atualmente, os tributos gerados em uma venda passam primeiro pelo caixa da empresa antes de serem recolhidos. Esse intervalo, conhecido como float tributário, funciona na prática como uma fonte informal de capital de giro para muitas operações. Com o Split Payment, esse valor deixa de entrar na conta da empresa, que passa a receber apenas o montante líquido da transação.
O mecanismo foi criado para operacionalizar a arrecadação do IBS e da CBS, tributos que compõem o IVA Dual brasileiro dentro da Reforma Tributária. Em junho de 2026, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram o Manual de Integração e a documentação técnica da Plataforma Pública do Split Payment, abrindo oficialmente a fase de preparação tecnológica para prestadores de serviços de pagamento.
O ano de 2026 será dedicado aos testes, ainda sem recolhimento real de IBS ou CBS. A implementação efetiva começa em 2027, inicialmente com prioridade para operações via Pix e boleto. Para gestores financeiros, o período de testes deve ser usado para mapear impactos, revisar sistemas e avaliar a maturidade dos parceiros de pagamento.
“Um dos principais pontos de atenção será a perda do float tributário. Empresas com alto volume de recebimentos ou operações parceladas podem sentir redução de liquidez, já que o valor do tributo será retido antes de chegar ao caixa. O impacto tende a ser maior em negócios com prazos longos de recebimento, como operações a 90 ou 120 dias”, explica Gustavo Luiz Silva, head de Planejamento Financeiro da Trio.
Segundo Gustavo Portugal Heinze, advogado especialista em Direito Tributário e sócio-fundador do GMP G&C Advogados Associados, a fase de testes prevista para 2026 terá papel fundamental na adaptação das empresas ao novo sistema. “O objetivo não é aumentar a arrecadação nem gerar impacto tributário imediato, mas homologar e testar toda a infraestrutura tecnológica necessária para o funcionamento do modelo. Durante esse período, o mecanismo será facultativo e operará com alíquotas simbólicas, permitindo que empresas, instituições financeiras e provedores de tecnologia ajustem seus processos antes da obrigatoriedade”, explica.
Tecnologia assume papel essencial
Outro ponto relevante é que a execução do split não será feita diretamente pela empresa vendedora, mas pelo prestador de serviços de pagamento responsável por processar a transação. Bancos, processadoras e instituições de pagamento precisarão integrar seus sistemas à Plataforma Pública do Split Payment e realizar a segregação automática dos valores.
Para que o Split Payment funcione adequadamente, será necessário que haja comunicação instantânea entre sistemas de emissão de notas fiscais, ERPs corporativos e Prestadores de Serviços de Pagamento (PSPs), como bancos, adquirentes e instituições de pagamento. “A operação dependerá de uma sincronia praticamente perfeita entre os sistemas envolvidos. A nota fiscal, o pagamento e a retenção tributária precisarão conversar em tempo real”, afirma Heinze. Segundo o advogado, esse aspecto transforma a preparação tecnológica em uma das principais prioridades para 2026.
“Na prática, a escolha do provedor de pagamentos deixa de ser apenas uma decisão baseada em custo por transação e passa a envolver risco operacional e conformidade regulatória. Empresas que utilizam conciliação manual, planilhas ou sistemas pouco integrados também devem enfrentar desafios, já que será necessário distinguir com precisão o valor bruto faturado, o tributo retido e o valor líquido recebido”, explica Silva.
Entre as medidas recomendadas para 2026 estão calcular o impacto do float tributário na operação atual, revisar prazos de recebíveis, avaliar a preparação do processador de pagamentos, adaptar ERPs e plataformas de conciliação e acompanhar de perto o calendário regulatório. “O Split Payment não cria um novo imposto, mas muda quem controla o dinheiro durante a transação. Para empresas que não se prepararem antes de 2027, a consequência pode aparecer diretamente no capital de giro”, completa Silva.
Sobre a Trio
Criada em 2020 por Peterson Ferreira dos Santos e Manoel de Oliveira Souza, empreendedores com forte experiência em tecnologia e mercado financeiro, a Trio é especializada em tecnologia para pagamentos, atuando como uma Instituição de Pagamento regulada pelo Banco Central (IP 619). O grande diferencial da Trio está em sua conta corporativa feita sob medida para times financeiros e concebida para entregar alta performance em operações financeiras de ponta a ponta, sem intermediários. A Trio desenvolve soluções voltadas especialmente para o ambiente corporativo, com destaque para ferramentas de gestão financeira, integração por APIs, sistemas de conciliação facilitada e soluções baseadas em Pix. Para mais informações, acesse o site www.trio.com.br ou o perfil oficial no Instagram: @trio.fin.