Relatório aponta US$ 4,6 trilhões em transações globais só na primeira metade de 2025; no Brasil, ativos já concentram 90% do volume cripto
As moedas digitais estáveis, chamadas stablecoins, estão crescendo rapidamente como ferramenta de pagamento no comércio exterior e em transferências internacionais, impulsionadas por ganhos de eficiência, redução de custos e liquidação quase imediata das operações.
De acordo com relatório da FXC Intelligence, as transações com stablecoins somaram mais de US$ 5,7 trilhões em 2024, com cerca de US$ 4,6 trilhões registrados só na primeira metade de 2025. No Brasil, dados apresentados pela Receita Federal mostram que stablecoins como USDT e USDC já representam cerca de 90% do volume de transações com criptoativos no país, incluindo operações de trading, transferências entre carteiras e outras formas de movimentação financeira em blockchain.
“O apelo das stablecoins está no fato de serem lastreadas em moedas tradicionais, como o dólar, que lhes confere mais previsibilidade em comparação com criptoativos voláteis como Bitcoin. Isso as torna ferramentas práticas para liquidação de contas no comércio exterior, especialmente em transações entre empresas de países com sistemas cambiais rígidos ou taxas elevadas de conversão”, explica Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, exchange brasileira especializada em soluções de pagamento.
Nos últimos meses, empresas globais do setor de pagamentos e instituições financeiras intensificaram projetos-piloto para integrar stablecoins às suas infraestruturas de liquidação, permitindo a realização de pagamentos digitais com moedas estáveis de forma contínua, inclusive fora do horário bancário tradicional.
“Além da previsibilidade, as stablecoins oferecem velocidade em transações internacionais que os sistemas tradicionais ainda não conseguem entregar. Isso reduz custos de conversão, amplia o acesso de pequenas e médias empresas a mercados externos e permite estratégias mais eficientes de gestão de caixa e proteção cambial”, afirma Pereira. Segundo o executivo, outro efeito relevante é a redução dos prazos de liquidação. “Em muitos casos, a liquidação ocorre em minutos, enquanto no sistema bancário tradicional esse processo pode levar dias”, complementa.
No Brasil, o avanço do uso de stablecoins ocorre em paralelo ao debate regulatório sobre ativos virtuais, conduzido principalmente pelo Banco Central e pela Receita Federal, com foco em temas como compliance cambial, prevenção à lavagem de dinheiro e tributação de operações transfronteiriças. O movimento também coincide com a entrada em vigor, em 02/02/2026, das Resoluções nº 519, 520 e 521 do Banco Central, que estabelecem novas diretrizes para o setor e reforçam a supervisão das operações com ativos virtuais.
Especialistas avaliam que, nesse contexto, as stablecoins tendem a atuar como uma camada complementar à infraestrutura financeira tradicional, e não como um substituto direto. “A adoção de stablecoins no comércio internacional representa uma mudança estrutural na forma como o dinheiro circula globalmente. Não se trata apenas de tecnologia, mas de criar uma infraestrutura que conecte mercados com menos atrito e maior eficiência”, finaliza Cleverson Pereira, head educacional da OnilX.