Starlink de Elon Musk desafia o apagão da internet no Irã com rotas de contrabando

this.src='/etc.clientlibs/settings/wcm/designs/telegraph/core/clientlibs/ui/dist/static/resources/images/liftIgniter-moreStories-placeholder.svg'

Satélites Starlink estão sendo introduzidos no Irã por redes clandestinas para contornar bloqueios governamentais

Starlink de Elon Musk está sendo contrabandeado por rotas históricas para driblar o bloqueio de internet imposto pelo governo iraniano.

A tecnologia Starlink de Elon Musk tem desempenhado um papel crucial para iranianos que enfrentam um rigoroso apagão de internet imposto pelo governo de Teerã diante das intensas manifestações populares. Desde 8 de janeiro, o regime iraniano tenta impedir que imagens do confronto entre manifestantes e forças de segurança vazem para o exterior. Contudo, a conexão via satélites Starlink tem permitido burlar esse bloqueio de forma eficaz.

O funcionamento do Starlink no contexto iraniano

Os terminais Starlink, dispositivos compactos com dimensões aproximadas de 12 por 10 polegadas, conectam-se a uma constelação de satélites em órbita terrestre, fornecendo acesso à internet sem depender de redes físicas como cabos de fibra óptica, que o governo pode controlar e desligar. Essa característica torna o serviço uma ferramenta importante para dissidentes e jornalistas no país.

Contrabando por rotas históricas

O desafio maior reside na introdução desses terminais no Irã, uma vez que o regime tenta conter sua disseminação. Para isso, organizações americanas associam-se a uma complexa rede de contrabandistas que utilizam rotas antigas, datadas da era do Império Britânico, para transportar os dispositivos. Essas rotas passam pelo Golfo Pérsico, regiões do Curdistão iraquiano e pelas fronteiras afegãs e paquistanesas.

Os equipamentos são disfarçados em embarcações de pesca ou contêineres de transporte, além de serem transportados por cavalos e mulas em terrenos montanhosos. Essa logística permite o envio de milhares de terminais mensalmente, apesar dos riscos legais e das operações de segurança reforçadas pelo governo iraniano.

Impactos sociais e riscos para os usuários

Os custos para aquisição e manutenção do Starlink são elevados, variando de US$ 700 até valores quatro vezes maiores durante a alta demanda dos protestos, mais uma assinatura mensal de cerca de US$ 100. Elon Musk teria isentado essa taxa em resposta a apelos, tornando o acesso um pouco mais viável.

Porém, o uso desses dispositivos é criminalizado no Irã, com punições que vão de prisão a pena de morte em casos de espionagem. O governo realiza buscas domiciliares para apreender terminais e identificar usuários. Além disso, há preocupação com a possibilidade de rastreamento dos envolvidos a partir de dados geográficos extraídos de vídeos divulgados nas redes.

Perspectivas e o papel da tecnologia na resistência

Enquanto o regime tenta manter o controle, a disseminação do Starlink representa uma forma de resistência tecnológica, possibilitando que imagens e informações sobre a repressão cheguem ao mundo. Organizações como Holistic Resilience e NetFreedom Pioneers mantêm redes discretas para proteger os contrabandistas e usuários, contribuindo para a luta pela liberdade de expressão no país.

O uso da internet via satélite no Irã exemplifica o impacto da tecnologia espacial na política global e nos direitos humanos, demonstrando como inovações podem alterar dinâmicas de poder mesmo em ambientes de forte censura e repressão.

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: