O The SmAll Market estreia em Miami com minimercados autônomos em condomínios, tecnologia própria e já atrai olhares de nomes de peso do mercado norte-americano
Fundado pelos brasileiros Lucas Ceschin e Rodolpho Damasco, o The SmAll Market acaba de iniciar suas operações nos Estados Unidos com um modelo de minimercados autônomos em condomínios residenciais ainda pouco explorado no país. O negócio chamou rapidamente a atenção do setor, e a startup levantou um investimento inicial de mais de R$ 10 milhões, com participação de investidores com experiência em varejo e tecnologia.
O movimento que marca a chegada do The SmAll Market aos Estados Unidos rompe com um padrão recorrente do empreendedorismo brasileiro: em vez de importar tendências de mercados mais maduros, a empresa leva ao exterior um modelo já validado globalmente. “A proposta é clara: transformar espaços residenciais em pontos de conveniência acessíveis 24 horas por dia, sem necessidade de operação humana e com experiência totalmente digital”, destaca Lucas Ceschin, cofundador do The SmAll Market.
Com uma proposta que pode ser resumida como “tudo em um espaço compacto”, a startup começou a operar em Miami, na Flórida, em março deste ano, com seu primeiro minimercado autônomo dentro de um condomínio residencial. O modelo é voltado para prédios com mais de 150 apartamentos e reúne desde produtos essenciais do cotidiano até itens escolhidos de acordo com o perfil dos moradores. Todo o processo de compra acontece por meio de tecnologia própria, que inclui pagamentos automatizados e soluções de inteligência artificial voltadas tanto à seleção de produtos quanto à definição de preços.
O próprio nome da marca traduz sua essência. A escolha de destacar as letras “S” e “A” em “SmAll” foi pensada para transmitir dois conceitos ao mesmo tempo: simplicidade e amplitude. Segundo o cofundador Ceschin, a sugestão surgiu de maneira espontânea, enviada por um amigo via WhatsApp, e fez sentido imediatamente para todos os envolvidos. A proposta, segundo ele, é crescer sem perder a humildade, mantendo a essência mesmo com a expansão do negócio. Já para Damasco, o nome também comunica ao consumidor a ideia de praticidade: mesmo em um ambiente reduzido, o morador encontra praticamente tudo o que precisa no dia a dia.
A empresa nasce respaldada por capital e por um grupo de investidores com experiência direta no varejo americano. A rodada pré-seed de US$ 2 milhões contou com nomes como Trevor Hayes, ex-CEO do Subway; Leandro Balbinot, CTO do Whole Foods e VP de Operações da Amazon; e Jardel Cardoso, fundador da Billor e ex-CEO da CrediPago. A combinação entre conhecimento operacional, tecnologia e estrutura financeira sustenta a ambição de crescimento da empresa no país. “Identificamos uma oportunidade em um mercado onde esse modelo ainda é pouco explorado. Estamos trazendo uma solução testada, validada e adaptada para um consumidor exigente”, ressalta Ceschin. “Nosso objetivo é construir uma companhia que se destaque pela consistência da operação e pela experiência entregue”, complementa.
Por trás da operação está a trajetória dos fundadores. Lucas Ceschin foi cofundador e ex-CEO do James Delivery, plataforma de delivery multicategoria adquirida pelo Grupo Pão de Açúcar em 2018. Sob sua liderança, a empresa expandiu para mais de 35 cidades, com cerca de 1.000 funcionários diretos, 25 mil entregadores parceiros e mais de 1 milhão de clientes ativos mensais, consolidando-se como uma das principais operações do setor no Brasil à época.
Já Rodolpho Damasco construiu carreira no mercado financeiro e na estruturação de negócios. Foi fundador de um escritório de investimentos que deu origem à NOMOS, com mais de R$ 10 bilhões em ativos sob custódia, e fundou a Ophir, fundo de crédito estruturado com mais de R$ 300 milhões sob gestão. Sua atuação inclui crédito privado, investimentos alternativos e operações internacionais, com mais de US$ 60 milhões estruturados nos Estados Unidos. A combinação entre a experiência operacional em varejo e tecnologia de Ceschin e a expertise financeira e de estruturação de Damasco define a base estratégica do The SmAll Market e sustenta o plano de expansão da empresa no mercado norte-americano.
Os primeiros resultados reforçam o potencial da tese. Mesmo em fase inicial, a adesão dos moradores tem sido imediata, com alto índice de uso e repercussão orgânica nas redes sociais. Para Rodolpho Damasco, o início da operação também trouxe desafios relevantes. “Entre os principais pontos estão a complexidade regulatória, que varia de cidade para cidade, e a dinâmica do mercado imobiliário americano. A adaptação a esse ambiente exigiu ajustes estratégicos e a construção de relacionamento local”, explica.
Para os próximos meses, a empresa prevê a abertura de mais 10 unidades ainda em 2026, consolidando sua presença inicial em Miami. Em paralelo, estrutura um modelo de expansão com operadores locais, que poderá incluir financiamento e suporte operacional, permitindo crescimento sem perda de padrão. No longo prazo, a meta é ampliar a presença no mercado de minimercados autônomos nos Estados Unidos e consolidar o modelo no varejo residencial. “A estratégia é avançar de forma estruturada, com foco na experiência do consumidor e na eficiência operacional”, completa Damasco.