Mudança para Boulder marca fim de uma era para o festival e seu vínculo com a cidade do Novo Velho Oeste
Após 35 anos, o Sundance Film Festival deixa Park City e inicia nova fase em Boulder, Colorado, encerrando uma era marcada pela presença de Robert Redford e o charme do Novo Velho Oeste.
O Sundance Film Festival, uma das mais importantes vitrines do cinema independente mundial, encerra em 2026 um capítulo emblemático de sua história ao se despedir de Park City, Utah, cidade que o acolheu por 35 anos e onde construiu sua identidade cultural. A mudança para Boulder, Colorado, marca uma transição significativa, tanto para o festival quanto para a comunidade cinematográfica que o acompanha.
O papel de Park City na construção do Sundance
Desde 1981, quando o Utah/US Film and Video Festival foi transferido para Park City — e posteriormente renomeado Sundance em 1991 — a cidade se tornou mais que um simples local de evento. Park City incorporou o espírito do Novo Velho Oeste, uma mistura de tradição e modernidade que dialogava diretamente com a visão do próprio Robert Redford, fundador do festival e figura central no imaginário da cultura cinematográfica americana.
A escolha de Park City não foi casual: o cenário de montanhas nevadas, o ambiente acolhedor da cidade e sua atmosfera quase intocada formaram o palco ideal para o florescimento do cinema independente, que buscava se diferenciar da indústria hollywoodiana tradicional. O festival passou a ser sinônimo de inovação, experimentação e descobertas artísticas, aspectos que foram amplamente favorecidos pelo charme e pela intimidade que Park City proporcionava aos artistas e ao público.
Robert Redford e a mística do festival
Robert Redford, cuja carreira foi alavancada por clássicos do faroeste como “Butch Cassidy and the Sundance Kid”, incorporava uma ponte entre o cinema tradicional e a nova onda independente. Sua presença no festival, junto ao cenário bucólico de Park City, consolidou o Sundance como um símbolo de reinvenção e ousadia cinematográfica.
A aura romântica criada por essa junção reforçava a mensagem de que o cinema independente não era apenas um segmento alternativo, mas uma continuação vibrante e vital da arte cinematográfica como um todo.
Memórias e experiências que marcaram uma era
A relação íntima entre o festival e Park City também se refletia na convivência cotidiana dos participantes. De encontros casuais em locais como o Riverhorse Café a sessões memoráveis no histórico Egyptian Theatre, o ambiente favorecia conexões profundas entre cineastas, atores e críticos. Foi nesse cenário que muitos talentos emergentes, como Mike White com “Chuck & Buck”, encontraram seu espaço para brilhar.
Além disso, a presença do festival impulsionou uma transformação cultural e tecnológica, evidenciada pela introdução precoce de celulares e internet no evento durante os anos 1990, sinalizando uma era de mudanças que afetariam o modo como filmes são produzidos e distribuídos.
O futuro do Sundance em Boulder
A mudança para Boulder representa um desafio e uma oportunidade. A nova localização terá que equilibrar a tradição que marcou os anos em Park City com a necessidade de adaptação a um mercado e a uma cultura em constante evolução. Boulder, com sua própria identidade e características, poderá oferecer um novo ambiente para a criatividade e a inovação, mas terá que construir, ao longo do tempo, o mesmo tipo de mística que fez do Sundance um evento único em Park City.
A expectativa é de que o festival continue a ser um marco para o cinema independente, abraçando as transformações tecnológicas e culturais que definem o século 21, ao mesmo tempo em que honra o legado consolidado em Utah.
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O adeus de Sundance a Park City não é apenas uma mudança geográfica; é um momento de reflexão sobre as raízes e o espírito do cinema independente, sobre como lugares e pessoas se entrelaçam para criar cultura e sobre as possibilidades que um novo capítulo pode trazer para uma instituição tão icônica.
Fonte: variety.com
Fonte: Park City
