Estudo indica que exoplanetas maiores que a Terra geram proteção magnética através de magma fundido
Super-Terras podem formar campos magnéticos fortes por magma fundido entre núcleo e manto, aumentando chances de vida em exoplanetas.
Super-Terras são exoplanetas com massa maior que a Terra, mas menores que Netuno, bastante comuns na Via Láctea. Muitos deles orbitam em zonas habitáveis de suas estrelas, onde a água líquida pode existir e a vida poderia se desenvolver.
Magnetismo e habitabilidade em super-terras
Um estudo publicado em 15 de janeiro de 2026 na revista Nature Astronomy aponta que esses planetas podem gerar campos magnéticos fortes através de um mecanismo diferente do da Terra. Diferentemente do campo magnético terrestre, formado pelo movimento do ferro líquido no núcleo externo, as super-terras podem possuir um dínamo magnético ativado por magma fundido em uma camada entre o núcleo e o manto.
Segundo a pesquisadora Miki Nakajima, da Universidade de Rochester, “um campo magnético forte é fundamental para a vida em um planeta”. Este campo protege a atmosfera contra o vento estelar e as superfícies contra radiação cósmica e estelar prejudicial, condições essenciais para manter ambientes habitáveis.
O papel do oceano basal de magma
Essa camada de magma fundido, chamada de oceano basal de magma (OBM), provavelmente se formou durante a aceleração do planeta por impactos gigantescos na formação planetária, concentrando material rico em ferro em profundidades entre núcleo e manto. Enquanto na Terra o OBM solidificou aproximadamente 1 bilhão de anos após a formação, nas super-terras, devido à maior pressão interna, ele pode persistir por bilhões de anos.
Experimentos de laboratório e modelo planetário
Para validar essa hipótese, Nakajima e sua equipe realizaram experimentos de choque em laboratório, submetendo materiais rochosos a pressões extremas esperadas em super-terras de 3 a 6 vezes a massa da Terra. Os resultados indicam que o magma rico em ferro torna-se metálico e eletricamente condutor, condição necessária para gerar campos magnéticos duradouros.
Através de modelos planetários combinados com os dados experimentais, concluiu-se que essas super-terras podem manter campos magnéticos impulsionados pelo OBM por bilhões de anos, com intensidade comparável ou até maior que o campo magnético terrestre.
Implicações para a busca de vida extraterrestre
Campos magnéticos duradouros são considerados um elemento essencial para a habitabilidade planetária, pois evitam que ventos estelares desgastem a atmosfera e protegem possíveis formas de vida da radiação. A possibilidade de que super-terras mantenham essa proteção por meio do oceano basal de magma amplia as perspectivas para encontrar mundos realmente habitáveis além do nosso sistema solar.
Ainda que a detecção direta de campos magnéticos em exoplanetas seja desafiadora atualmente, avanços futuros em observações poderão confirmar a presença desses dinamos magnéticos incomuns.

Regiões logo acima do núcleo da Terra, na camada do manto, podem agir como lâmpadas de lava gigantes, com bolsões de magma subindo e descendo, impactando o campo magnético do planeta.
A descoberta reforça a ideia de que os processos geofísicos em planetas extrasolares podem ser bastante distintos dos do nosso sistema solar, exigindo novos modelos para compreender suas características e potencial para abrigar vida.
Fonte: www.space.com