A Justiça de São Paulo investiga um golpe milionário contra herdeiros de João Carlos Di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo, que morreu em fevereiro de 2022. Entre os principais suspeitos estão Luiz Teixeira da Silva Júnior, Rubens Maurício Bolorino e Wagner Rossi Silva. A herança de Di Genio é estimada em R$ 16 bilhões e, três meses após sua morte, uma empresa desconhecida da família apresentou uma cobrança milionária com supostos contratos que teriam a assinatura dele.
As investigações resultaram na decretação de nove prisões preventivas, sendo que apenas um suspeito foi detido até o momento. Perícias indicaram que as assinaturas de Di Genio foram retiradas de documentos originais e inseridas digitalmente em contratos considerados fictícios. A família desconhece a negociação e não recebeu os documentos que comprovem a suposta venda.
A Colonizadora Planalto Paulista Ltda., ligada a Luiz Teixeira da Silva Júnior, entrou na Justiça para receber o valor antes da partilha dos bens, mas o pedido foi negado. Os suspeitos então recorreram a uma sentença de câmara arbitral que determinou o pagamento da dívida, agora elevada para quase R$ 1 bilhão. A câmara arbitral funciona como uma justiça privada, onde as partes escolhem um árbitro para decidir o caso.
Wagner Rossi Silva, dono da Fonamsp, a câmara arbitral utilizada, tem passagens pela polícia por tráfico de drogas e estelionato. Rubens Maurício Bolorino, ex-policial civil, aparece como testemunha nos documentos e já foi preso pela Polícia Federal em esquemas de venda de decisões judiciais. O promotor Carlos Bruno Gaya da Costa afirmou que a situação é uma encenação visando obter vantagem econômica.