A imposição de tarifas de 15% por parte dos Estados Unidos sobre as exportações da União Europeia, em vigor desde 7 de agosto, coloca a Alemanha no epicentro de uma crise econômica iminente. Setores cruciais como o automotivo, farmacêutico e de máquinas industriais já sentem o impacto, gerando apreensão em todo o país.
Às vésperas de completar 100 dias no cargo, o chanceler alemão Friedrich Merz enfrenta uma crescente onda de desaprovação, com pesquisas de opinião indicando que a população questiona sua capacidade de defender os interesses alemães em meio a esse cenário desafiador. A Alemanha, uma potência exportadora, é particularmente vulnerável às políticas protecionistas de Washington.
Economistas preveem que o “tarifaço” de Trump pode reduzir o PIB alemão em até 0,2%, agravando uma situação já delicada, após dois anos consecutivos de recessão. Embora o primeiro trimestre tenha apresentado um crescimento de 0,4%, a contração de 0,1% no segundo trimestre reacendeu o temor de um terceiro ano de retração econômica.
A pesquisa da Câmara Alemã de Indústria e Comércio revela que três em cada quatro empresas alemãs já sofrem as consequências do conflito comercial com os EUA, com o impacto atingindo alarmantes 90% nas empresas com laços mais estreitos com o mercado americano. A incerteza gerada pela ameaça de novas tarifas é o principal fator de preocupação.
“A situação é preocupante”, afirma um analista econômico, “e exige uma resposta estratégica do governo alemão para mitigar os danos e proteger os interesses da indústria nacional”. A imposição de tarifas de 15% sobre produtos da UE, acordada entre a Comissão Europeia e Washington, é vista como um fardo significativo para as empresas alemãs, com poucas perspectivas de benefícios.
