Tarifas de Trump sobre o Irã: um risco de conflito com a China

Yao Feng/HPIC/dpa/picture alliance

A nova tarifa de 25% pode provocar retaliações e afetar relações comerciais

A tarifa de 25% de Trump sobre países que negociarem com o Irã ameaça intensificar tensões com a China.

A recente decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de implementar uma tarifa de 25% sobre qualquer país que realize negócios com o Irã está colocando a China em uma posição delicada. Esta medida foi anunciada na segunda-feira (8 de janeiro de 2026) e visa pressionar Teerã, que enfrenta um período de intensas manifestações internas. Embora a intenção da tarifa seja clara, suas consequências podem ser profundas e complexas, especialmente nas relações comerciais entre os EUA e a China.

A resposta imediata de Trump e suas implicações

Trump declarou em sua plataforma Truth Social que “qualquer país fazendo negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todos os negócios realizados com os Estados Unidos da América”. Essa ação surge em meio a protestos generalizados no Irã, que resultaram em um violento esforço do governo para reprimir a dissidência, resultando em centenas de mortes e na detenção de mais de 10.000 pessoas. A medida de Trump parece ser uma resposta direta a essa situação interna, após seu governo ter descartado ações militares contra o Irã.

O papel da China no comércio iraniano

A China, como principal compradora de petróleo iraniano, representa um desafio significativo para a nova política tarifária dos EUA. Em 2024, a China foi responsável por cerca de 80% das exportações de petróleo bruto do Irã, utilizando uma rede sofisticada de transporte clandestino para evitar sanções. Estima-se que a China comprou 19,5 milhões de barris de petróleo iraniano no ano passado, gerando receitas não reportadas de aproximadamente 43 bilhões de dólares para o governo iraniano, que depende fortemente desse fluxo de caixa em um cenário de severas sanções internacionais.

As possíveis consequências para a economia global

A imposição dessa tarifa pode não apenas elevar os custos dos produtos chineses nos EUA, mas também criar um ambiente propenso a retaliações. A China já qualificou a nova tarifa como “sanções unilaterais ilícitas” e prometeu proteger seus interesses nacionais. Com a economia global já fragilizada, a imposição de tarifas adicionais poderia desestabilizar ainda mais as cadeias de suprimento e provocar um aumento nos preços do petróleo, que já reagiram com um aumento de 2% em sua cotação após o anúncio.

Retaliações e o futuro das relações EUA-China

A nova tarifa de Trump arrisca não apenas complicar as relações comerciais, mas também provocar uma escalada nas tensões entre as duas potências. As negociações comerciais já estavam em um estado delicado, e essa medida pode reverter os avanços feitos em um acordo comercial parcial alcançado em outubro. Especialistas alertam que, se a tarifa for aplicada rigidamente, poderá haver uma resposta severa de Pequim, que já demonstrou disposição para retaliar com medidas equivalentes em relação às importações dos EUA.

Considerações finais sobre a eficácia da tarifa

Embora a intenção de Trump seja pressionar o Irã, muitos analistas afirmam que a tarifa pode ser mais prejudicial para os EUA do que para a China. A implementação dessa política pode não alterar o comportamento do Irã, mas prejudicar a confiança entre as duas maiores economias do mundo. A situação é complexa e requer uma análise cuidadosa dos desdobramentos que virão, à medida que as repercussões dessa decisão se desenrolam no cenário global.

Fonte: www.dw.com

Fonte: Yao Feng/HPIC/dpa/picture alliance

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