Tendência de alta das taxas reflete descontentamento do mercado
Taxas dos DIs fecharam em alta, refletindo descontentamento do mercado.
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram a terça-feira (10) com leves altas, contrariando a queda acentuada dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos. Esse movimento acontece em um contexto de críticas à atual política fiscal brasileira, destacadas durante um evento do BTG Pactual em São Paulo. A taxa do DI referente a janeiro de 2028 registrou uma alta de 4 pontos-base, alcançando 12,68%, enquanto a de janeiro de 2035 subiu 1 ponto-base, atingindo 13,45%.
Contexto da Inflação e suas Implicações
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em janeiro, uma taxa semelhante à de dezembro e em linha com as expectativas de economistas. No entanto, a inflação acumulada nos últimos 12 meses mostrou um aumento para 4,44%, superando os 4,26% registrados anteriormente. A desaceleração nos serviços foi notável, com a taxa caindo de 0,72% em dezembro para apenas 0,10% em janeiro, refletindo a pressão econômica atual.
O economista Julio Barros, do Banco Daycoval, destacou que, apesar da inflação de serviços estar baixa devido à queda nos preços das passagens aéreas e devolução de tarifas de transporte, a parte relacionada ao mercado de trabalho e à atividade econômica continua tensionada. Isso indica que o cenário inflacionário permanece complexo e depende fortemente de fatores internos.
Reações do Mercado e Expectativas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao discutir a questão fiscal, expressou não ver justificativa para os altos níveis de juros reais no Brasil, que têm um impacto significativo sobre a dívida pública. Ele enfatizou a importância de uma gestão cuidadosa do Banco Central, que pode influenciar diretamente a economia e o governo.
As taxas dos DIs apresentaram oscilações durante o dia, com a queda dos rendimentos dos Treasuries dando um viés negativo inicialmente. Contudo, até o final da sessão, as taxas se recuperaram, impulsionadas por críticas à política fiscal e visões pessimistas sobre o futuro econômico do país. Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro, foi uma das vozes proeminentes que alertou para as fragilidades fiscais, atribuindo melhorias recentes a fatores externos, em vez de políticas governamentais.
Consequências e Cenário Futuro
As leves altas nas taxas dos DIs podem sinalizar um ambiente de crescente desconfiança no mercado em relação à política econômica do governo. Investidores e analistas estão atentos às previsões do Banco Central sobre a Selic, que, segundo as opções de Copom, indicam uma probabilidade de corte nos juros, embora a situação fiscal possa complicar esses planos.
Diante de um cenário inflacionário e fiscal instável, as decisões futuras do governo e do Banco Central serão cruciais para determinar a trajetória das taxas de juros e, por consequência, o crescimento econômico do Brasil. A combinação de fatores domésticos com tendências globais, como os rendimentos dos Treasuries, continuará a exercer pressão sobre o mercado financeiro brasileiro, exigindo estratégias cuidadosas para mitigar os riscos associados a essas oscilações.
Fonte: www.moneytimes.com.br