O Observatório Neil Gehrels Swift, um importante telescópio espacial da NASA, está se afastando rapidamente de sua órbita estável e corre o risco de cair na Terra antes de completar 22 anos de lançamento. Após uma tentativa de resgate que visava aumentar sua órbita durante o verão, o telescópio, que pesa 1.452 quilos, não obteve sucesso e terá que interromper suas atividades científicas em breve.
Originalmente projetado para investigar explosões de raios gama, o Swift também tem sido utilizado para observar outros fenômenos cósmicos, como asteroides e cometas. Atualmente, ele está situado a aproximadamente 325 quilômetros acima do nível do mar, mas a previsão é que, ao atingir uma altitude inferior a 300 quilômetros, no início ou meio de outubro, as operações se tornem inviáveis. Nesse ponto, o observatório deverá sair de órbita e se desintegrar ao reentrar na atmosfera terrestre.
De acordo com informações de uma empresa de rastreamento espacial, a LeoLabs, existe a possibilidade de que alguns componentes do Swift sobrevivam à reentrada, mas a chance de que os detritos causem danos materiais significativos ou ferimentos a pessoas é considerada muito baixa. A expectativa é que, como ocorre com a maioria dos detritos espaciais, o que sobrar caia no oceano ou em áreas desabitadas.
Os cientistas acreditavam que um satélite chamado LINK, desenvolvido pela Katalyst Space Technologies, poderia se acoplar ao Swift para estabilizá-lo em uma nova órbita. No entanto, a missão de resgate não teve êxito, e a situação do telescópio se agravou. Para minimizar o consumo de energia e evitar uma queda mais acentuada, os instrumentos do observatório foram desligados por meses.
O Swift vem perdendo altitude continuamente devido ao arrasto atmosférico, que foi intensificado pelo aumento da atividade solar nos últimos dois anos. A NASA indicou que o Sol está em um ciclo de 11 anos, e as erupções solares e ejeções de massa coronal têm contribuído para a expansão da atmosfera, aumentando o arrasto sobre o telescópio e acelerando sua descida em direção à Terra.
S. Bradley Cenko, que é o investigador principal do Swift no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, destacou que, Quando Neil Gehrels projetou o observatório, não existia nada semelhante em operação. Ele enfatizou que o legado do Swift reside em ter permitido à NASA realizar um lançamento ousado, mesmo diante da incerteza dos resultados.