Cidadãos de Groenlândia reagem com indignação ao interesse dos EUA na compra do território
A crescente tensão sobre a possibilidade de anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos gera reações alarmadas entre os groenlandeses, que afirmam: 'não estamos à venda'.
A possibilidade de anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos está gerando uma onda de indignação e medo entre os groenlandeses. Recentemente, declarações da administração Trump sobre a compra do território, que pertence há séculos à Dinamarca, reacenderam temores de uma possível intervenção militar. Mia Chemnitz, uma empresária de Nuuk, expressou o sentimento comum entre os cidadãos: “Nós não estamos à venda”. Este sentimento foi ecoado por muitos outros, que se sentem ameaçados pelas implicações de uma anexação americana.
A origem da preocupação
As discussões sobre a Groenlândia começaram a ganhar atenção devido ao crescente interesse estratégico dos EUA na região, especialmente em face das mudanças climáticas que estão tornando os recursos naturais da ilha mais acessíveis. Além disso, a história militar dos EUA na Groenlândia remonta à Segunda Guerra Mundial, quando o país estabeleceu bases na ilha, aumentando sua importância geopolítica. A localização da Groenlândia entre a América do Norte e o Ártico é vista como crucial para sistemas de alerta precoce em caso de ataques com mísseis.
No entanto, a retórica da administração Trump, que passou a sugerir não apenas a compra, mas também a possibilidade de uma anexação forçada, provocou reações alarmadas. Aaja Chemnitz, uma das deputadas dinamarquesas que representam a Groenlândia, expressou sua indignação, afirmando que as declarações dos EUA são uma “ameaça clara” e uma falta de respeito.
Detalhes da reação groenlandesa
A reação da população tem sido de nervosismo, especialmente após a recente operação militar dos EUA que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Essa ação militar sem precedentes fez com que muitos groenlandeses se sentissem vulneráveis à possibilidade de uma abordagem semelhante em relação à Groenlândia.
Cidadãos como Tupaarnaq Kopeck, que viveu em Canadá, compartilham preocupações sobre o futuro de seus entes queridos na ilha. Ele expressou preocupação em contatar sua família em Nuuk, oferecendo abrigo caso a situação se tornasse insustentável. Outros, como Aleqatsiaq Peary, um caçador inuit, observam que a verdadeira luta dos groenlandeses não está em uma escolha entre Dinamarca e Estados Unidos, mas sim em garantir a sua própria autonomia e sobrevivência em face das mudanças climáticas.
A defesa da autodeterminação dos groenlandeses é um ponto central nas conversas sobre o futuro do território. Pesquisas indicam que, embora muitos desejem a independência da Dinamarca, a ideia de serem controlados pelos EUA é amplamente rejeitada. A Groenlândia já possui um governo autônomo, mas a administração de assuntos estrangeiros e defesa ainda permanece sob controle dinamarquês.
Com a pressão internacional crescendo e as implicações geopolíticas de uma possível anexação se tornando mais claras, muitos groenlandeses se perguntam até que ponto seus aliados estão dispostos a ir para protegê-los. “O respeito vai além de alianças no papel. Quando nações poderosas falam sobre você em vez de dialogar com você, esse respeito desaparece rapidamente”, disse Tupaarnaq.
A indignação em relação à retórica dos EUA aumenta, e muitos groenlandeses se sentem frustrados com a forma como a situação está sendo tratada. Christian Keldsen, da Associação de Negócios da Groenlândia, enfatizou que a ilha está aberta ao comércio e à cooperação, e não precisa ser dominada para se conectar com o mundo. “Temos uma democracia bem estabelecida e nosso governo possui um forte mandato”, concluiu Mia, reafirmando que, apesar das pressões, a Groenlândia não está à venda, mas sim aberta para negócios.
Fonte: www.bbc.com
Fonte: Mia Chemnitz Mia Chemnitz
