Nesta quinta-feira (20), Israel acusou a Turquia de realizar "aventuras perigosas na Síria" em resposta a um bombardeio israelense que atingiu uma base aérea síria. O ataque ocorreu dois dias após Israel afirmar que tropas turcas estavam prestes a se posicionar na referida base, o que gerou um aumento nas tensões entre os dois países, ambos com interesses estratégicos na região.
A base aérea de Abu al-Duhur, localizada na Síria, foi alvo do ataque, com Israel justificando a ação ao afirmar que Damasco ignorou advertências sobre a presença turca, considerada uma ameaça à segurança israelense. A Turquia, por sua vez, negou as alegações e pediu o fim dos ataques israelenses, que considerou imprudentes.
Em declarações ao site Axios, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shaibani, afirmou que não havia planos para a instalação de uma base militar turca na área. Ele esclareceu que visitas de oficiais militares turcos à base ocorreram dias antes do bombardeio, mas foram parte de uma cooperação militar em andamento, sem relação com a presença de tropas.
O Ministério da Defesa turco também declarou que não havia delegações militares turcas na base durante o ataque e reafirmou seu compromisso em apoiar a Síria no desenvolvimento de sua capacidade militar. "É essencial para a paz e a estabilidade tanto da Síria quanto da região que Israel cesse tais ataques imprudentes e cumpra as exigências do direito internacional", afirmou o ministério.
Fontes indicaram que a possibilidade do envio de tropas turcas à Síria foi discutida em uma ligação telefônica entre Shaibani e Roman Gofman, chefe da agência de espionagem israelense Mossad, em 14 de agosto, antecedendo o ataque. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, advertiu o presidente turco, Tayyip Erdogan, contra arriscar a Turquia em ações na Síria e testar a determinação de Israel em se defender.
A Turquia, que é membro da Otan e possui uma fronteira de 900 km com a Síria, tem tido um papel ativo na guerra civil síria, apoiando rebeldes e enviando tropas para combater grupos curdos considerados ameaças à sua segurança. Desde a derrubada de Bashar al-Assad, a preocupação de Israel se deslocou da influência iraniana para o papel da Turquia na região, especialmente com a ascensão de Ahmed al-Sharaa, um ex-comandante da Al-Qaeda que estreitou laços com os Estados Unidos.