Uma tentativa de golpe contra o espólio de João Carlos Di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo, está sendo investigada por autoridades. A trama envolveu a elaboração de documentos falsos e decisões jurídicas questionáveis, com o objetivo de roubar parte da fortuna bilionária deixada pelo empresário, que faleceu em fevereiro de 2022, com uma herança estimada em R$ 16 bilhões.
Três meses após a morte de Di Genio, uma empresa desconhecida apresentou uma cobrança de R$ 635 milhões, embasada em contratos que supostamente continham sua assinatura. As investigações revelaram que o grupo teria utilizado assinaturas manipuladas digitalmente e uma sentença arbitral para dar legitimidade à cobrança. O contrato fictício mencionava a compra de 448 lotes em Piraju, com a alegação de que Di Genio os adquirira para expandir uma universidade.
Peritos identificaram indícios de fraude, constatando que a assinatura do empresário foi extraída de documentos válidos e inserida no contrato falso. A cobrança foi apresentada à família por uma empresa ligada a Luís Teixeira da Silva Júnior, que já tinha um histórico de investigações por uso de documentos falsos. Quando a família solicitou os documentos originais, que nunca foram apresentados, a empresa acionou uma câmara arbitral para validar a dívida.
A câmara arbitral, que funciona como uma justiça privada, determinou o pagamento de quase R$ 1 bilhão, mesmo sem a participação da viúva de Di Genio, que não compareceu às notificações, que também foram alegadamente fraudadas. A câmara utilizada no esquema foi a Fonamsp, cujo dono possui um histórico criminal por tráfico de drogas e estelionato.