Pesquisadores propõem nova visão sobre o Sagittarius A*
Pesquisadores sugerem que o supermassivo buraco negro da Via Láctea pode ser, na verdade, um aglomerado de matéria escura.
A descoberta de que o coração da Via Láctea, conhecido como Sagittarius A (Sgr A), pode não ser um buraco negro supermassivo, mas sim um aglomerado de matéria escura, está revolucionando nossa compreensão sobre a estrutura do universo. Uma equipe de pesquisadores propôs que tanto o supermassivo objeto central quanto o halo de matéria escura da galáxia representam manifestações de uma mesma substância contínua.
A Nova Teoria Sobre a Estrutura Galáctica
O estudo que fundamenta essa nova teoria baseia-se em observações feitas pela missão Gaia da Agência Espacial Europeia. Gaia foi capaz de mapear com precisão a rotação e a órbita de estrelas e gás na parte externa da Via Láctea, revelando um desaceleramento na curva de rotação conhecida como declínio kepleriano. A equipe acredita que esse fenômeno pode ser explicado pela presença de um halo externo difuso, que poderia validar o modelo de matéria escura fermionica, proposto como uma alternativa ao modelo tradicional de matéria escura “fria”.
Os pesquisadores, liderados por Carlos Argüelles do Instituto de Astrofísica de La Plata, afirmam que a matéria escura fermionica, composta por partículas ultraleves, poderia formar uma estrutura densa e compacta com uma massa equivalente a 4,6 milhões de sóis, imitando a gravidade de um buraco negro. Essa nova estrutura seria rodeada por um halo muito mais extenso, unificando o comportamento observado das estrelas no centro galáctico.
Observações e Implicações
A implicação mais fascinante dessa teoria é a possibilidade de que o que vemos na imagem capturada pelo Telescópio Event Horizon (EHT) em 2022, que mostra um anel de luz dourada, pode não ser um buraco negro clássico. Em vez disso, essa imagem poderia ser o resultado de um núcleo denso de matéria escura que, embora invisível, ainda possui um efeito gravitacional significativo. Este núcleo denso poderia curvar a luz ao seu redor, criando uma sombra semelhante à de um buraco negro.
Além disso, os pesquisadores indicam que a teoria da matéria escura fermionica apresenta um modelo que pode reconciliar dados sobre a curva de rotação moderna e as órbitas centrais de estrelas, um desafio que o modelo tradicional não conseguiu resolver adequadamente. A comparação estatística entre os dois modelos mostrou que a nova teoria pode replicar os comportamentos observados, tornando-se uma alternativa viável.
O Que Vem a Seguir?
Embora a ideia de que o Sgr A* possa ser um aglomerado de matéria escura seja intrigante, os especialistas ressaltam que ainda é cedo para descartar completamente o modelo de buraco negro. As futuras observações usando o Very Large Telescope (VLT) poderão fornecer mais insights, particularmente na busca por anéis de fótons que poderiam validar ou refutar essa nova teoria.
Assim, enquanto a discussão sobre a verdadeira natureza do coração da Via Láctea continua, o debate sobre a composição do universo e a natureza da matéria escura permanece em aberto, desafiando os cientistas a reavaliar o que acreditamos saber sobre a galáxia em que vivemos.
Fonte: www.space.com