Tesla anuncia aumento no preço da assinatura do Full Self-Driving

Gage Skidmore, CC BY-SA 2.0, Wikimedia

Elon Musk alerta que os US$ 99 mensais pelo FSD supervisionado são apenas o preço inicial e que o valor aumentará conforme as funcionalidades evoluem

Tesla inicia modelo dinâmico de preços para assinatura Full Self-Driving, com custos aumentando conforme recursos avançam, gerando dúvidas sobre o futuro da autonomia.

A Tesla iniciou uma nova fase em sua oferta de assistência avançada ao condutor ao anunciar alterações significativas no modelo de cobrança do Full Self-Driving (FSD). Enquanto o sistema de piloto automático foi descontinuado nos Estados Unidos e Canadá, todos os novos veículos passam a incluir o Traffic-Aware Cruise Control como item padrão, e a assinatura mensal do FSD supervisionado está disponível por US$ 99.

Evolução do preço da assinatura Full Self-Driving

Elon Musk publicou recentemente que o valor de US$ 99 para o FSD supervisionado é apenas o preço inicial. Conforme o software evolui e suas capacidades aumentam, especialmente rumo à autonomia total, a assinatura terá aumento de preço. Musk destacou que o salto real no custo ocorrerá quando o sistema permitir direção totalmente autônoma, em que o motorista poderia usar o celular ou dormir durante o trajeto.

Histórico de promessas e atrasos na autonomia plena

O anúncio ocorre em meio a um histórico marcado por promessas ambiciosas e sucessivos adiamentos. Musk afirmou que a Tesla alcançaria autonomia nível 5 até 2020, o que não se concretizou. Atualmente, em 2026, o FSD permanece em fase beta e requer supervisão ativa do motorista, sem aprovação regulatória para operação totalmente autônoma.

Outros projetos como o modelo elétrico acessível de US$ 25 mil foram adiados, com previsão agora para 2025 sem protótipos públicos; e a frota de robotáxis que deveria ter sido lançada em 2020 ainda não está operacional. Até o Cybertruck e o Roadster, anunciados com datas iniciais para o início da década, sofreram longos atrasos.

Modelo dinâmico de precificação e suas implicações

Ao vincular o custo da assinatura às capacidades do FSD, a Tesla adota um modelo dinâmico inédito no setor automotivo, que tradicionalmente fixa preços de opcionais no momento da compra do veículo. Com essa abordagem, os consumidores podem acessar funcionalidades básicas por valores menores e pagar mais conforme desejam recursos avançados.

Essa estratégia reduz a barreira inicial para experimentar o FSD, tornando a tecnologia mais acessível inicialmente. Porém, também cria incertezas em relação a custos futuros, já que a evolução do software pode tornar a assinatura mais onerosa ao longo do tempo.

Impacto para consumidores e mercado

Para o consumidor, a mudança permite testar a tecnologia e fazer upgrades conforme o avanço do sistema, oferecendo flexibilidade. Por outro lado, a perspectiva de aumentos contínuos pode afetar a percepção de custo-benefício e a decisão de compra.

Do ponto de vista comercial, a Tesla garante uma fonte contínua de receita atrelada à evolução tecnológica, o que pode financiar melhorias constantes no software e manter a lucratividade além da venda do veículo.

Considerações finais

Embora os avanços da Tesla em veículos elétricos e baterias sejam incontestáveis, o histórico de prazos não cumpridos e a complexidade técnica da autonomia total indicam que o sonho de uma condução sem supervisão ainda está distante. A nova política de preços para o FSD pode ser interpretada tanto como um incentivo para a adoção progressiva da tecnologia quanto como uma forma de manter a demanda e a receita diante do atraso nas entregas das funcionalidades prometidas.

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