Na última semana, o Estreito de Ormuz registrou um aumento notável no tráfego de embarcações, com 73 navios passando pela via navegável na quarta-feira. Este foi o maior número de embarcações desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro. Contudo, o ritmo de trânsito diminuiu na sexta-feira (26), em função da suspensão de um plano de evacuação importante.
Esse crescimento no tráfego se deu após os Estados Unidos suspenderem as sanções ao petróleo iraniano, uma medida que faz parte de um acordo de cessar-fogo entre as partes envolvidas. Além disso, a Organização Marítima Internacional (IMO) e As Nações Unidas lançaram uma iniciativa humanitária voltada para a retirada de 11 mil marítimos e 500 embarcações que estavam retidos na região.
Gene Seroka, diretor executivo do Porto de Los Angeles, comentou que o aumento no número de embarcações se deve ao fato de que muitos navios que estavam parados no Golfo começaram a sair, focando inicialmente em missões de ajuda humanitária. No entanto, ele alertou que a situação não significa que a passagem esteja completamente livre e segura para todos os navios.
Antes do início do conflito, especialistas estimavam que entre 110 e 160 navios transitavam diariamente pelo estreito. Desde a eclosão dos combates, a média diária caiu para menos de dez embarcações. O tráfego começou a aumentar novamente no fim de semana, à medida que as empresas de navegação demonstravam mais confiança nas negociações entre os EUA e o Irã.
Em outra ação, a IMO, em colaboração com o Irã e Omã, estabeleceu duas novas rotas marítimas no estreito, visando aumentar a segurança das travessias, uma ao norte, próxima ao Irã, e outra ao sul, perto de Omã. Essa estratégia busca evitar os perigos de minas e outros riscos na área.
Entretanto, as empresas de navegação têm sido cautelosas ao transportar cargas e passageiros, dadas as ameaças de ataques com mísseis e a recusa de seguradoras em cobrir navios devido às cláusulas de tempo de guerra. Algumas transportadoras, como a Hapag-Lloyd, têm recorrido a guias da Marinha dos EUA para atravessar o estreito, mas essa assistência não tem sido garantida.