A história de Gerson de Melo Machado revela desafios de saúde mental e falta de apoio familiar antes do ataque fatal à leoa em João Pessoa
Jovem que invadiu jaula de leoa em João Pessoa enfrentou abandono, transtornos mentais e sonhava domar grandes felinos na África.
A história de Gerson de Melo Machado e seu sonho de domar leões na África
No dia 30 de novembro de 2025, a trágica morte de Gerson de Melo Machado, um jovem de 19 anos conhecido como “Vaqueirinho”, chocou a cidade de João Pessoa (PB). Gerson, que invadiu a jaula de uma leoa no Parque Arruda Câmara, tinha um sonho intenso: viajar para a África e domar leões. Sua história reflete os desafios enfrentados por muitos jovens em situações de vulnerabilidade, transtornos mentais e abandono familiar. Segundo a conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou Gerson durante oito anos, ele era uma criança marcada por diversas violações de direitos e uma vida extremamente difícil.
Infância marcada por abandono, transtornos e pobreza extrema
Desde os 10 anos, quando foi encontrado andando sozinho em uma rodovia e levado pela Polícia Rodoviária Federal ao Conselho Tutelar, Gerson passou a integrar a rede de proteção da infância. Filho de uma mãe com esquizofrenia e com avós também com problemas de saúde mental, sua infância foi permeada por abandono familiar e pobreza severa. A mãe, diante de sua condição, não conseguia cuidar dele, chegando a afirmar que não era mais mãe e desejava devolvê-lo. Diferente de seus irmãos, Gerson não conseguiu ser adotado, possivelmente por causa dos transtornos mentais que apresentava, evidenciando um cenário de negligência e exclusão social.
Intervenções do Conselho Tutelar e desafios no reconhecimento dos transtornos
Durante anos, o Conselho Tutelar tentou oferecer apoio a Gerson, mas as dificuldades eram grandes. A conselheira Verônica Oliveira relata debates intensos com profissionais de saúde mental que, muitas vezes, minimizavam os transtornos do jovem, classificando apenas como problemas comportamentais. Somente quando Gerson entrou no sistema socioeducativo seus transtornos foram oficialmente reconhecidos. Entre os episódios marcantes está uma tentativa de embarcar clandestinamente em um avião rumo à África, reforçando seu desejo de realizar o sonho de domar leões e a gravidade da situação que enfrentava.
Circunstâncias do ataque fatal à leoa no zoológico de João Pessoa
No domingo, 30/11, Gerson escalou uma parede de mais de seis metros e ultrapassou as grades de segurança do Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica. Usando uma árvore como apoio, entrou no recinto da leoa. A Prefeitura de João Pessoa iniciou a apuração do caso e suspendeu as visitas ao zoológico. Autoridades policiais e científicas foram acionadas para os procedimentos cabíveis, e a administração municipal expressou solidariedade à família da vítima, ressaltando que o local segue todas as normas técnicas e de segurança.
Reflexões sobre vulnerabilidade social e o destino trágico de Gerson
A morte de Gerson expõe a complexidade dos desafios enfrentados por jovens em situação de vulnerabilidade social e mental. Seu sonho inocente de conhecer a África e domar leões contrasta com a dura realidade de abandono, falta de apoio e transtornos não tratados. A conselheira tutelar Verônica manifesta sua tristeza profunda, ressaltando que “ele não tinha juízo suficiente para domar uma leoa”, e que a tragédia encerra uma vida de desamparo e luta contra um sistema que, apesar das tentativas, não conseguiu ampará-lo adequadamente.
Esta história chama atenção para a necessidade urgente de políticas públicas efetivas, acompanhamento especializado e suporte familiar para jovens em situação de risco, a fim de evitar novos casos semelhantes e garantir a proteção integral das crianças e adolescentes.


