Acordo não vinculante de US$ 1,6 bilhão com a USA Rare Earth fortalece cadeia produtiva de minerais críticos nos EUA
Trump administration investe US$ 1,6 bi em empresa americana de terras raras para reduzir domínio chinês no setor estratégico.
A Trump administration investe US$ 1,6 bilhão na empresa americana USA Rare Earth, sediada em Oklahoma, para fortalecer a produção nacional de minerais críticos, com ênfase na mineração, processamento, fabricação de metais e ímãs essenciais para diversas tecnologias. O acordo não vinculante, anunciado em janeiro de 2026, marca uma nova etapa na tentativa de reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China, que domina o mercado mundial de terras raras.
Acordo e investimento estratégico
O pacote financeiro inclui um empréstimo de US$ 1,3 bilhão concedido pelo Departamento de Comércio dos EUA, que possibilita ao governo adquirir uma participação acionária na USA Rare Earth, além de mais US$ 277 milhões em financiamentos federais diretos. Separadamente, a empresa captou US$ 1,5 bilhão junto a investidores privados, refletindo a confiança do mercado na expansão do setor.
A ação governamental é coerente com iniciativas anteriores, como o investimento na Vulcan Elements, startup de ímãs de terras raras, e na MP Materials, responsável pela maior mina de terras raras operante nos EUA. Essas movimentações fazem parte de um esforço coordenado para fortalecer a cadeia produtiva doméstica, desde a extração até a produção final.
Contexto geopolítico e econômico
A China detém quase 90% do processamento mundial de terras raras, minerais fundamentais para aparelhos eletrônicos, veículos elétricos, energias renováveis e tecnologias de defesa. As tensões comerciais entre Washington e Pequim transformaram esses recursos em peças-chave para negociações e estratégias de segurança nacional.
Em 2025, a China restringiu exportações desses minerais em retaliação a tarifas impostas pelos EUA, expondo a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos. Em resposta, a administração Trump buscou parcerias estratégicas, como o acordo com a Austrália para ampliar a oferta de minerais críticos e a negociação sobre recursos em Groenlândia, ampliando o leque de fornecedores alternativos.
Impactos para o setor americano de terras raras
A USA Rare Earth controla reservas de “terras raras pesadas”, particularmente valorizadas por aplicações militares e industriais. O investimento federal e privado fortalece a capacidade tecnológica e produtiva dos EUA, podendo estimular empregos, inovação e segurança no fornecimento.
Após o anúncio, as ações da empresa subiram até 20%, sinalizando o otimismo do mercado frente à perspectiva de redução da dependência chinesa e ao fortalecimento da indústria nacional.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar dos avanços, especialistas apontam que os EUA ainda têm um longo caminho para diminuir a hegemonia chinesa no setor, dada a complexidade e o custo do processamento de terras raras. O desenvolvimento de novas tecnologias e o fortalecimento da cadeia logística ainda são cruciais.
O investimento da Trump administration na USA Rare Earth representa um passo significativo numa estratégia mais ampla para garantir autonomia estratégica e competitividade econômica, especialmente em setores considerados críticos para a segurança nacional e inovação tecnológica.
Este movimento sinaliza para o mercado global que os EUA estão dispostos a investir pesado para diversificar suas fontes e reduzir riscos geopolíticos associados à concentração de produção e processamento de minerais essenciais.