Trump amplia perdões para fraudadores condenados em meio a acusações de investigação política

Fabrice Coffrini/AFP/Getty Images

Presidente concentra clemência em crimes de fraude enquanto critica supostas fraudes em estados democratas

Trump tem concedido perdões a vários condenados por fraude, num contraste com suas acusações de fraude em estados democratas.

Desde que assumiu o cargo, Donald Trump tem utilizado o poder presidencial para conceder perdões a dezenas de pessoas condenadas por crimes de colarinho branco, com destaque para casos envolvendo fraudes financeiras. Essa estratégia ganhou evidência em janeiro de 2026, quando a maioria das 13 indenizações emitidas secretamente beneficiou indivíduos condenados por fraudes, incluindo empresários bilionários.

Foco nos perdões a fraudadores

Entre os beneficiados está Wanda Vázquez Garced, ex-governadora de Porto Rico, que admitiu ter cometido infrações na campanha eleitoral. O Departamento de Justiça dos EUA revelou que Vázquez aceitou centenas de milhares de dólares em doações ilegais em troca de interferência em investigações federais. Trump também perdoou Julio Herrera Velutini e Mark Rossini, ambos condenados por fraude eletrônica, ampliando a lista de aliados assistidos pelo presidente.

Outro caso emblemático é o de Adriana Camberos, cuja pena relacionada a um esquema fraudulento envolvendo a venda ilegal de produtos foi comutada por Trump em seu primeiro mandato. Mesmo após nova condenação por fraude, ela recebeu novamente clemência neste ano.

Contradições entre investigação e perdões

Enquanto amplia os perdões a fraudadores, Trump mantém uma postura agressiva contra os estados administrados por democratas, acusando-os de práticas fraudulentas sem apresentar provas concretas. Em janeiro, tentou cortar bilhões de dólares em verbas destinadas a serviços sociais em vários estados, incluindo Califórnia e Minnesota, alegando irregularidades que foram barradas pela Justiça.

Apesar das críticas e dos processos judiciais que contestam suas ações, Trump declarou que o processo de concessão de perdões é rigoroso e feito com base em análises da equipe jurídica e do Departamento de Justiça, afirmando que busca proteger pessoas que ele acredita terem sido perseguidas politicamente.

Reação dos democratas e impacto político

Líderes democratas, como o governador Gavin Newsom, criticam duramente os perdões, classificando-os como um favorecimento injusto a criminosos que roubaram recursos públicos. Newsom lançou uma plataforma para acompanhar e expor o padrão de clemência concedida a fraudadores e aliados de Trump.

Essa disparidade entre a retórica de combate à fraude e as ações presidenciais tem alimentado debates sobre a integridade da justiça e o uso político do sistema de perdões nos Estados Unidos.

Análise da amplitude dos perdões

Relatórios indicam que mais da metade dos 88 perdões individuais de Trump foram para crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, fraude bancária e fraude eletrônica. Estima-se que os perdões tenham resultado na perda de mais de 1,3 bilhões de dólares em multas e restituições devidas a vítimas e ao governo, segundo análise do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes.

Esses números evidenciam uma abordagem controversa na aplicação do poder presidencial, que, segundo críticos, beneficia criminosos em detrimento da justiça e da reparação às vítimas.

Fonte: www.theguardian.com

Fonte: Fabrice Coffrini/AFP/Getty Images

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