Ex-presidente americano qualifica decisão do Reino Unido como "grande estupidez" e relaciona ao desejo dos EUA de adquirir a Groenlândia
Trump critica decisão do Reino Unido de transferir as Ilhas Chagos para Maurício, destacando riscos à segurança e reforçando plano dos EUA para adquirir a Groenlândia.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou forte crítica ao acordo firmado pelo Reino Unido para transferir a soberania das Ilhas Chagos ao país de Maurício, chamando a decisão de “grande estupidez” e usando-a para reforçar sua proposta de aquisição da Groenlândia pelos EUA.
A polêmica sobre as Ilhas Chagos
As Ilhas Chagos, localizadas no Oceano Índico, foram separadas de Maurício em 1965, quando esta ainda era uma colônia britânica. O Reino Unido comprou o território por cerca de 4 milhões de dólares da época, mas Maurício argumenta que foi forçado a abrir mão das ilhas para alcançar sua independência em 1968.
Diego Garcia, a maior das ilhas e parte do arquipélago, abriga uma base militar estratégica conjunta entre os Estados Unidos e o Reino Unido. Esta base tem papel fundamental na defesa americana na região do Oceano Índico.
O acordo e suas implicações estratégicas
Em 2019, o Tribunal Internacional de Justiça emitiu um parecer não vinculante recomendando que o Reino Unido devolvesse a soberania das Ilhas Chagos a Maurício, considerando que a expulsão dos moradores para instalação da base militar foi ilegal.
Como consequência, em 2024, os governos do Reino Unido e Maurício firmaram um acordo que transfere a soberania das ilhas para Maurício, mantendo a operação da base militar de Diego Garcia por meio de um contrato de arrendamento de 99 anos, que custa cerca de 136 milhões de dólares anuais ao Reino Unido.
A mudança de posição de Trump
Inicialmente, a administração Trump apoiou o acordo. Em 2025, o então secretário de Estado Marco Rubio declarou que o acordo garantia a operação estável do complexo militar conjunto. Trump chegou a elogiar o entendimento durante encontro com o primeiro-ministro britânico.
No entanto, em 20 de janeiro de 2026, Trump expressou no Truth Social sua discordância, dizendo que o Reino Unido agiu com “grande estupidez” ao “entregar Diego Garcia a Maurício sem motivo” e ressaltou que a decisão demonstra fraqueza diante de potências como China e Rússia.
Ele reforçou que essa situação reforça a necessidade dos EUA adquirirem a Groenlândia, destacando que sua liderança teria feito o país ser respeitado internacionalmente como nunca antes.
Reação dos governos envolvidos
O governo britânico, por meio de um porta-voz, afirmou que jamais comprometerá a segurança nacional e que o acordo foi necessário diante das decisões judiciais que poderiam impedir o funcionamento da base militar. O Reino Unido destacou que o entendimento garante a operação da base para gerações futuras, mantendo sua capacidade única e protegendo contra adversários.
O porta-voz ainda ressaltou que o acordo foi bem recebido pelos aliados dos Five Eyes — EUA, Austrália, Canadá e Nova Zelândia —, além de parceiros internacionais como Índia, Japão e Coreia do Sul.
Contexto diplomático
No momento das declarações de Trump, o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Mike Johnson, estava no Reino Unido para falar ao parlamento britânico. Johnson afirmou que as relações entre os países permanecem sólidas e que ambos os lados continuarão a resolver diferenças de forma amistosa.
Esta controvérsia evidencia a complexidade das relações geopolíticas envolvendo territórios estratégicos, a influência militar dos EUA na região do Oceano Índico, e os desafios das disputas territoriais herdadas do período colonial.
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Imagem: Mapa vetorial do Arquipélago de Chagos, Território Britânico do Oceano Índico, Reino Unido.
Fonte: www.cbsnews.com
Fonte: vector map of the Chagos Archipelago, British Indian Ocean Territory, United Kingdom
