Encontro ocorre após a derrubada de Maduro e busca revitalizar o setor energético do país
O encontro entre Trump e os executivos de empresas petrolíferas visa discutir a revitalização do setor energético da Venezuela após a queda do governo de Maduro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá um encontro com executivos da indústria do petróleo nesta sexta-feira, às 14h (horário de Brasília), na Casa Branca. O foco da reunião é discutir planos de investimento na Venezuela, logo após a derrubada do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar.
Entre os participantes, estarão os CEOs de grandes empresas como Exxon, ConocoPhillips e Shell, além de um representante da Chevron. A presença do secretário de Energia, Chris Wright, também está confirmada. Apesar do alvoroço em torno da reunião, a administração Trump tem sido reservada em relação aos detalhes sobre como incentivará as companhias petrolíferas a investirem em um país com um histórico de instabilidade econômica e política.
Após a queda de Maduro, Trump declarou que as empresas de petróleo dos EUA devem investir bilhões para reconstruir o setor energético da Venezuela. No entanto, a reação da indústria permanece hesitante, diante da incerteza sobre a segurança e a estabilidade do novo governo em Caracas. A Venezuela abriga as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, totalizando 303 bilhões de barris, o que representa cerca de 17% do total global. No entanto, a produção caiu drasticamente, de aproximadamente 3,5 milhões de barris por dia nos anos 90 para apenas cerca de 800 mil barris atualmente, de acordo com dados da consultoria de energia Kpler.
O custo para restaurar a produção petrolífera da Venezuela a níveis históricos é estimado em dezenas de bilhões de dólares, conforme revelou o secretário Wright durante uma conferência da Goldman Sachs. A Rystad Energy estima que esse investimento pode ultrapassar US$ 180 bilhões até 2040 para que a produção atinja 3 milhões de barris por dia.
Atualmente, a Chevron é a única empresa americana a operar na Venezuela, através de uma joint venture com a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). O secretário Wright afirmou que os EUA estão colaborando de perto com a Chevron, que está obtendo atualizações diárias sobre a situação no país. No entanto, para que Exxon e ConocoPhillips retornem, serão necessárias garantias, já que essas empresas se retiraram do país após a nacionalização de seus ativos pelo ex-presidente Hugo Chávez em 2007, e possuem bilhões de dólares em reivindicações pendentes contra o governo.
Wright também comentou que as dívidas que a Venezuela deve a Exxon e ConocoPhillips precisam ser pagas em algum momento, mas não são uma prioridade imediata para a administração Trump. O foco está em estabilizar a economia da Venezuela por meio das vendas de petróleo.
“Estamos tentando criar uma transição na Venezuela para um ambiente onde os americanos queiram fazer negócios, investir capital e estabelecer novas parcerias”, disse Wright.
Entretanto, ainda é incerto se a Casa Branca conseguirá convencer grandes empresas como Exxon e Conoco a retornarem sem uma mudança dramática no governo em Caracas. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, comentou que as grandes companhias petrolíferas tendem a ser mais cautelosas, enquanto as empresas independentes estão muito interessadas em entrar no mercado venezuelano.
Os EUA têm exercido controle sobre as exportações de petróleo da Venezuela como forma de pressionar o governo de Caracas. O país deve enviar dezenas de milhões de barris para os EUA, que serão vendidos, com os lucros sendo mantidos em contas controladas pelos EUA. O secretário Wright assegurou que os EUA não estão roubando o petróleo da Venezuela; os recursos obtidos com as vendas serão utilizados em benefício da população de 30 milhões de habitantes da nação. Trump também afirmou que os rendimentos do petróleo serão usados para adquirir produtos fabricados nos Estados Unidos.
“Recebi a informação de que a Venezuela vai comprar SOMENTE produtos feitos nos EUA, com o dinheiro que receberemos do nosso novo acordo de petróleo”, anunciou Trump em suas redes sociais. Os produtos adquiridos incluirão itens agrícolas, medicamentos e equipamentos para modernizar o setor energético da Venezuela. Assim, a Venezuela se compromete a fazer negócios com os Estados Unidos como seu parceiro principal.
Fonte: www.cnbc.com
Fonte: CNBC
