Presidente dos EUA aumenta pressão com tarifas e troca mensagens polêmicas sobre Nobel
Trump evita dizer se usaria força para tomar Groenlândia e intensifica pressão com tarifas sobre países europeus.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se evasivo ao ser questionado sobre o uso de força para tomar posse de Groenlândia, território dinamarquês semi-autônomo. Em uma entrevista telefônica à NBC News, ele respondeu “sem comentários” quando indagado sobre essa possibilidade, aumentando a incerteza em torno da disputa.
Contexto da pressão sobre Groenlândia
Trump tem intensificado seus esforços para adquirir Groenlândia, alegando interesse estratégico e de segurança nacional. Para forçar uma negociação, anunciou a imposição de tarifas de 10% sobre a Dinamarca e sete outras nações europeias, com início previsto para 1º de fevereiro, caso não haja acordo. Essa medida econômica inédita agrava o já delicado relacionamento entre os EUA e seus aliados europeus.
A polêmica ligação com o Nobel da Paz
Em uma troca de mensagens com o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre, revelada pelo próprio governo norueguês, Trump relacionou a questão de Groenlândia à sua frustração por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz no ano anterior. Ele afirmou que, por não ter sido premiado, se sente liberado para pensar em interesses americanos além da paz, ainda que ela seja predominante em suas ações.
Støre reiterou o apoio firme da Noruega à Dinamarca, afirmando que “Groenlândia é parte do Reino da Dinamarca” e que seu país mantém essa posição clara. Ao questionar o controle norueguês sobre o Nobel, Trump insistiu que o país tem influência significativa sobre o prêmio, apesar das explicações oficiais de que a decisão cabe a um comitê independente.
Reações e críticas
Especialistas e diplomatas norte-americanos, como Lewis Lukens, destacam a impropriedade e o baixo impacto das tentativas de Trump de pressionar a Noruega sobre o Nobel. Eles ressaltam que o governo norueguês não tem ingerência na escolha dos laureados e que a estratégia do presidente pode aprofundar atritos diplomáticos desnecessários.
Enquanto isso, Trump ressalta suas ações de pacificação global, afirmando ter interrompido oito guerras e salvado inúmeras vidas, o que, segundo ele, supera a necessidade de reconhecimento pelo Nobel. Ele também criticou os líderes europeus por concentrarem esforços no conflito Rússia-Ucrânia, ao invés da questão de Groenlândia.
Implicações geopolíticas
A tentativa de aquisição de Groenlândia representa um movimento incomum na política externa americana, misturando interesses estratégicos com medidas econômicas coercitivas e retórica pessoal. A imposição das tarifas e a postura firme podem comprometer a cooperação transatlântica em outros temas críticos, como segurança e comércio.
Além disso, o episódio evidencia como questões simbólicas, como o Nobel da Paz, podem ser incorporadas a negociações geopolíticas de alto nível, influenciando a dinâmica entre líderes e países.
Trump concluiu afirmando que seguirá com as tarifas “100%” caso não haja acordo sobre o território, deixando claro que a disputa deve continuar nos próximos meses.
Fonte: www.nbcnews.com
Fonte: NBC News
