Trump busca expandir mandato do conselho de paz além de Gaza

SHAWN THEW

Conselho de paz de Trump amplia escopo para mediar conflitos globais e enfrenta críticas na região

O conselho de paz de Trump, inicialmente focado em Gaza, amplia sua missão para promover estabilidade global, gerando debates e rejeições na região do Oriente Médio.

O conselho de paz de Trump, criado inicialmente para supervisionar a fase dois do cessar-fogo entre Israel e Hamas em Gaza, está ampliando seu escopo para abordar conflitos globais além da região do Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou líderes mundiais e figuras influentes para integrar esse corpo que visa promover a estabilidade e a reconstrução em áreas afetadas por guerras.

Objetivos ampliados do conselho de paz

Cartas enviadas por Trump a líderes como o presidente da Argentina, Javier Milei, e do Paraguai, Santiago Pena, revelaram que o conselho pretende “solidificar a paz no Oriente Médio” e, simultaneamente, “adotar uma nova abordagem para resolver conflitos globais”. Um documento acompanhante, denominado “estatuto”, define o conselho como uma organização internacional focada em restaurar governança confiável e assegurar paz duradoura em regiões ameaçadas ou afetadas por conflitos.

Essa ampliação da missão sinaliza uma visão ambiciosa de Trump para que o conselho se torne um ator global na mediação de crises, embora ainda seja classificada como “aspiracional” por autoridades americanas.

Composição e controvérsias

Entre os membros fundadores do conselho estão nomes de peso como o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, o genro de Trump, Jared Kushner, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff. O conselho executivo também inclui diplomatas e empresários influentes, formando uma equipe que supervisionará um comitê técnico palestino para administrar Gaza em substituição ao Hamas.

No entanto, a ausência de representantes palestinos no conselho gerou críticas e indignação na região, enquanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu manifestou oposição à composição do grupo executivo, afirmando que ele não foi coordenado com Israel e contraria suas políticas.

Relação com a ONU e reconhecimento internacional

Fontes diplomáticas indicam que o conselho de paz de Trump não pretende substituir a Organização das Nações Unidas (ONU), embora sua carta estatutária critique instituições tradicionais por falharem em garantir paz sustentável. Alguns diplomatas chegaram a chamar a iniciativa de uma espécie de “ONU de Trump”, apontando divergências fundamentais com a carta da ONU.

Líderes de diversos países, incluindo Turquia, Egito, membros da União Europeia e outros, receberam convites para integrar o conselho, mas a confirmação oficial da participação deles ainda está pendente.

Desafios e expectativas

O conselho de paz de Trump surge em meio a tensões persistentes no Oriente Médio e à insatisfação global com o desempenho de instituições multilaterais tradicionais na resolução de conflitos. Embora o mandato expandido traga potencial para uma atuação mais ampla, sua legitimidade, aceitação regional e eficácia ainda são questionadas por analistas e governos locais.

O futuro do conselho dependerá da capacidade de equilibrar interesses conflitantes, ampliar sua base de apoio e oferecer soluções pragmáticas para crises complexas, começando pelo contexto sensível da governança em Gaza.

![Líderes mundiais são convidados para o conselho de paz de Trump](https://www.aljazeera.com/wp-content/uploads/2026/01/epa_696c36da635b-1768699610.jpg?resize=1920,1440)
Foto: SHAWN THEW

Fonte: www.aljazeera.com

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