Relatório do Senado critica práticas de deportação da administração Trump.
A administração Trump investiu US$ 40 milhões na deportação de imigrantes para nações que não são as suas.
A administração do ex-presidente Donald Trump implementou uma política controversa de deportação que resultou em gastos significativos. Um relatório recente da equipe democrata do Comitê de Relações Exteriores do Senado revelou que foram necessários pelo menos US$ 40 milhões para deportar aproximadamente 300 imigrantes para países que não são seus de origem. Essa abordagem visava acelerar a remoção de imigrantes, conforme os objetivos da administração Trump, mas gerou críticas severas.
A Política de Deportação de Terceiros Países
O relatório, liderado pela senadora Jeanne Shaheen, caracteriza a prática de deportação para países terceiros como “caro, desperdício e mal monitorado”. Os democratas solicitaram uma análise mais crítica de uma política que, segundo eles, opera em grande parte na obscuridade. O Departamento de Estado, responsável pela implementação dessas políticas, defende a abordagem como essencial para o combate à imigração ilegal, afirmando que o governo está deportando, entre outros, membros de gangues.
O documento detalha pagamentos a cinco países, incluindo Guiné Equatorial, Ruanda, El Salvador, Eswatini e Palau, que variam de US$ 4,7 milhões a US$ 7,5 milhões. Entretanto, a quantidade de imigrantes deportados para cada uma dessas nações varia significativamente; por exemplo, aproximadamente 250 venezuelanos foram enviados a El Salvador, enquanto outros países receberam muito menos, com Equatorial Guiné recebendo apenas 29 e Palau, nenhum.
Críticas à Eficácia e Direitos Humanos
Grupos de defesa dos direitos dos imigrantes criticaram essa política, apontando que ela não apenas compromete os direitos de devido processo, mas também pode levar deportados a países com histórico de violações de direitos humanos. Durante uma visita a Sudão do Sul, a equipe do comitê democratico encontrou uma instalação de detenção com segurança armada onde estavam imigrantes de diversas nacionalidades, incluindo do Vietnã e do México.
Um dos principais problemas levantados pelos críticos é a falta de transparência e a aparente ineficiência do sistema. Em muitos casos, os deportados para países terceiros acabam sendo retornados para seus países de origem, resultando em custos adicionais para os EUA. A senadora Shaheen criticou essa prática, afirmando que muitos imigrantes poderiam ter sido devolvidos diretamente a seus países, evitando voos desnecessários e despesas.
Consequências Futuras e Questionamentos sobre Benefícios
Além das críticas à execução da política, existem questionamentos sobre os benefícios que os países terceiros possam esperar ao aceitar deportados. Por exemplo, diplomatas sudaneses enviaram uma lista de exigências a Washington, incluindo apoio para processos judiciais contra opositores e alívio de sanções para oficiais acusados de corrupção.
A senadora Shaheen também expressou preocupações sobre um pagamento de US$ 7,5 milhões feito à Guiné Equatorial durante o fortalecimento das relações com o vice-presidente do país, Teodoro Nguema Obiang, conhecido por seu estilo de vida luxuoso e por corrupção.
Conclusão
A política de deportação da administração Trump, além de custosa, levanta sérias questões sobre direitos humanos e a eficácia das abordagens adotadas. Com um número crescente de acordos de deportação em consideração, a falta de clareza e responsabilidade na aplicação dessas políticas continua a ser uma preocupação central para legisladores e defensores dos direitos dos imigrantes.
Fonte: abc7chicago.com