Declaração xenofóbica ocorre em meio a esforços de deportação contra a comunidade em Minneapolis-St Paul
Trump disparou ofensas contra imigrantes somalis, enquanto esforços para deportá-los aumentam em Minnesota.
Declarações polêmicas de Trump sobre os imigrantes somalis
No dia 2 de dezembro de 2025, durante uma reunião de gabinete, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez comentários extremamente controversos sobre os imigrantes somalis, chamando-os de ‘lixo’ e afirmando que deveriam voltar para seus países. Essas declarações vêm à tona em um contexto de crescente repressão a imigrantes indocumentados na área de Minneapolis-St Paul, onde reside a maior população somali dos Estados Unidos.
Trump criticou abertamente a representante Ilhan Omar, que também é de origem somali e cidadã americana. Ele disse: “Somália ‘cheira mal’ e é ‘ruim por um motivo’. Esses imigrantes, segundo ele, não contribuem positivamente para a sociedade americana e ‘apenas reclamam’.”
Aumento das deportações em Minnesota
As declarações de Trump coincidem com informações de que a administração está preparando uma operação de deportação na comunidade somali, com foco em indivíduos que já têm ordens finais de deportação. A nova política envolverá a mobilização de cerca de 100 agentes da Imigração e Controle de Alfândega (ICE) para a área. A estratégia foi confirmada por vários veículos de imprensa, incluindo o New York Times e a Associated Press.
O foco da deportação atinge particularmente aqueles supostamente envolvidos em fraudes que lesaram o estado, conforme reportagens alegam que alguns somalis enganaram o governo para obter reembolsos indevidos relacionados a serviços de alimentação e cuidados médicos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também anunciou que sua agência investigará se os fundos do contribuinte em Minnesota foram desviados para organizações terroristas, o que adiciona mais um elemento de tensão à situação.
Reação da comunidade e autoridades locais
Em resposta ao aumento das operações de deportação, Jacob Frey, o prefeito de Minneapolis, juntamente com outros líderes da cidade, organizou uma coletiva de imprensa expressando seu apoio à comunidade somali. Frey enfatizou que a polícia de Minneapolis não participará das operações de imigração e que não há aviso prévio sobre tais ações. Em suas palavras: “À nossa comunidade somali, nós os amamos e estamos com vocês. Esse compromisso é sólido.”
Frey também alertou que a ação direcionada à comunidade somali pode resultar em violações de direitos de devidos processos, afirmando que cidadãos americanos podem ser detidos apenas por parecerem somalis. Essa preocupação reflete a ansiedade e o medo que permeiam a comunidade.
A população somali nos EUA
Com aproximadamente 80 mil somalis vivendo em Minnesota, a maioria deles são cidadãos ou residentes legais, o que torna essas políticas de deportação especialmente problemáticas. Os comentários de Trump e a proposta de deportação não só acirram divisões políticas, mas também geram um clima de incerteza e medo dentro de uma comunidade que já enfrenta estigmas e desafios.
No panorama mais amplo, a retórica anti-imigrante e as políticas implementadas pela administração Trump são vistas como uma ameaça ao tecido social da nação. As vozes da comunidade somali estão ganhando cada vez mais destaque, à medida que líderes locais e ativistas se unem para lutar por seus direitos e dignidade. Essa situação em Minnesota exemplifica um desafio maior enfrentado por muitas comunidades imigrantes nos EUA, à medida que lidam com uma administração que promove uma agenda de exclusão.
Fonte: www.theguardian.com
Fonte: Julia Demaree Nikhinson/AP