Movimento para capear taxas de cartões une políticos de diferentes espectros, enquanto instituições financeiras alertam para possíveis cortes no crédito
Donald Trump propõe limitar em 10% os juros do cartão de crédito, unindo políticos, mas bancos alertam para cortes no crédito ao consumidor.
Trump propõe limite para juros de cartão de crédito enquanto bancos expressam preocupações
A proposta de Donald Trump para estabelecer um limite de 10% nas taxas de juros de cartão de crédito já provoca debates intensos entre políticos e instituições financeiras. Anunciada em 10 de janeiro de 2026, a iniciativa busca frear o aumento das taxas de juros que atingiram 19,65% no início do ano, segundo dados recentes. Trump afirmou que seu objetivo é “proteger o público americano” contra cobranças abusivas que chegam a 20% a 30%, pretendendo implementar o limite a partir de 20 de janeiro. Politicamente, a medida recebeu apoio de figuras como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, unindo esquerda e direita em prol da proteção do consumidor. Entretanto, bancos tradicionais, representados por executivos do JPMorgan Chase e Bank of America, alertam para possíveis restrições no acesso ao crédito, afetando principalmente os consumidores com menor renda e crédito.
Impactos econômicos e a escalada das dívidas de cartão de crédito nos Estados Unidos
A tensão entre a necessidade de proteção ao consumidor e a manutenção da saúde financeira das instituições é central. Dados do Federal Reserve mostram que o saldo de dívidas em cartões de crédito atingiu US$ 1,23 trilhão no terceiro trimestre de 2025, refletindo o aumento da dependência do crédito rotativo. Analistas destacam que, apesar do aumento das taxas para os consumidores, o cenário não é sustentável para famílias que já lidam com outras dívidas, como hipotecas e empréstimos estudantis. A proposta de Trump aparece em um momento em que o endividamento cresce e a capacidade de pagamento diminui. O mercado começa a antecipar efeitos, com queda das ações de bancos focados em crédito ao consumidor, como a Capital One.
Bancos argumentam que limite pode reduzir oferta e endurecer critérios de crédito
Executivos financeiros defendem que um teto rígido para as taxas pode resultar em restrições no acesso ao crédito, principalmente para clientes com histórico de crédito mais frágil. Jeremy Barnum, diretor financeiro do JPMorgan Chase, alertou que a medida pode levar a uma “redução ampla e profunda no acesso ao crédito, ironicamente atingindo quem mais precisa”. Brian Moynihan, CEO do Bank of America, reconheceu a importância da acessibilidade, mas destacou que a imposição de limites causaria “consequências não intencionais” e um endurecimento das políticas de concessão. Essa posição revela o desafio de equilibrar a viabilidade do negócio com a oferta necessária de crédito para a economia.
Alternativas menos reguladas podem ganhar força com possível limitação nos cartões de crédito
A possibilidade de um teto para juros nos cartões de crédito pode impulsionar o crescimento de opções de crédito menos regulamentadas, como o sistema “compre agora, pague depois” (Buy Now, Pay Later – BNPL). Embora esses serviços geralmente ofereçam empréstimos de curto prazo sem juros, cobram taxas de atraso e não são tão rigorosamente regulados. A American Bankers Association alertou que um limite nas taxas dos cartões poderia “empurrar consumidores para alternativas mais caras e menos protegidas”. O Consumer Financial Protection Bureau já classificou os fornecedores de BNPL como provedores de crédito, sinalizando uma possível maior regulamentação futura, mas ainda há incertezas sobre o impacto de um limite de juros nesse mercado emergente.
Perspectivas políticas e desafios para implementação da proposta de Trump
Para que o limite de 10% nos juros seja efetivado, Trump precisaria trabalhar em conjunto com agências reguladoras, como o Consumer Financial Protection Bureau, e o Congresso. Projetos bipartidários, liderados por Bernie Sanders e Josh Hawley no Senado, e por Alexandria Ocasio-Cortez e Anna Paulina Luna na Câmara, já propõem legislação semelhante, com vigência até 2031. Senadores como Elizabeth Warren indicam disposição para apoiar a medida, desde que haja empenho do presidente. Especialistas alertam que a aplicação retroativa do limite aos saldos existentes pode enfrentar desafios jurídicos complexos, mas reduções futuras nas taxas poderiam representar uma economia estimada em US$ 100 bilhões anuais para os consumidores. A discussão está aberta e deve continuar influenciando o debate econômico e político nos próximos meses.
Fonte: www.nbcnews.com
Fonte: Daniel Acker / Bloomberg via Getty Images
