Trump retoma foco em tarifas com trégua no conflito com o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece ter um apreço especial pela palavra "tarifa", que, após um longo período de conflito com o Irã, volta a ser central em sua agenda. Com um frágil acordo na região do Oriente Médio, Trump está novamente focado em questões tarifárias, o que pode ter desdobramentos significativos e rápidos.

Às portas da Cúpula do G7, que ocorrerá na França, Trump fez uma ameaça direta ao presidente francês, Emmanuel Macron, ao declarar que imporá um imposto de 100% sobre vinhos franceses, caso o imposto digital de 3% sobre serviços, que afeta empresas americanas, não seja revogado. Esta medida afeta diretamente gigantes da tecnologia dos EUA, como Amazon, Alphabet, Apple e Meta.

Em entrevista ao New York Post, Trump expressou seu descontentamento com a tributação francesa, afirmando: "Pedi a ele que não cobrasse das empresas americanas, e se o fizerem, não terei escolha senão cobrar uma tarifa de 100% sobre todos os champanhes e todos os vinhos provenientes da França". Essa não é a primeira vez que o presidente americano faz esse tipo de ameaça; em janeiro, ele já havia considerado uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses.

A Casa Branca, por sua vez, se apressou em esclarecer que não há conexão entre os acordos com o Irã e as ameaças tarifárias feitas a Macron. O porta-voz Kush Desai afirmou que não houve mudança de direção nas políticas, ressaltando que Trump já havia se posicionado sobre o imposto digital francês.

Além das tarifas sobre vinhos e champanhe, Trump também sinalizou um aumento nas tarifas sobre veículos da União Europeia, argumentando que o bloco comercial violou um acordo firmado no ano anterior. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) também propôs tarifas de 12,5% sobre produtos oriundos do Japão, China e Índia, em resposta a alegações de trabalho forçado.

Essas novas tarifas são esperadas em um momento delicado, em que a economia global ainda se recupera de impactos significativos. Economistas têm observado um índice de inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, registrado em 0,2% na base mensal e 2,9% em maio, o que sugere que, por enquanto, os altos preços de energia não têm impactado de forma significativa os preços de outros bens e serviços.

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