Análise sobre as dificuldades e improbabilidades da estratégia de Donald Trump para o petróleo venezuelano e seu impacto na economia americana
Apesar do entusiasmo de Donald Trump, especialistas apontam que investir no petróleo venezuelano é arriscado e pode não beneficiar a economia dos EUA.
O contexto da visão de Donald Trump sobre o petróleo venezuelano
A visão de Donald Trump sobre o petróleo venezuelano surge num momento de intenso debate sobre o impacto dos preços da energia na economia dos Estados Unidos. Conforme a aproximação das eleições de meio de mandato, o presidente tem demonstrado preocupação com o desemprego e a inflação dos combustíveis, considerando o petróleo venezuelano uma possível solução para esses problemas. No entanto, essa estratégia enfrenta limitações técnicas, econômicas e políticas que comprometem sua viabilidade.
Desafios econômicos e técnicos do petróleo venezuelano
Embora a Venezuela detenha as maiores reservas de petróleo do mundo, produzir e comercializar esse recurso não é simples. A infraestrutura do país está degradada, e a extração do petróleo pesado do cinturão do Orinoco tornou-se economicamente inviável com os preços atuais, que giram entre US$ 58,7 e US$ 62,3 o barril, abaixo dos US$ 80 necessários para justificar novos investimentos. Em 2025, a produção diária venezuelana foi de apenas 880 mil barris, representando 1% da produção mundial, um volume pequeno diante da demanda americana.
Impactos políticos e riscos para investidores internacionais
Além das dificuldades técnicas, o ambiente político venezuelano gera insegurança para investimentos. Contratos firmados por regimes instáveis, como o apoiado por Trump, podem ser invalidados por futuros governos ou afetados por conflitos armados e sanções internacionais. O histórico de instabilidade em países produtores de petróleo, como Iraque e Irã, demonstra que a apropriação de recursos minerais em países terceiros não é algo rápido nem simples, o que desestimula empresas a investir bilhões sob tais condições.
A redução da dependência americana do petróleo estrangeiro
Os Estados Unidos têm alcançado avanços significativos na produção interna de petróleo, especialmente com o desenvolvimento do fracking em formações xistosas. Isso, aliado a ganhos em eficiência energética e à mudança estrutural da economia para setores de serviços, diminuiu sensivelmente a dependência do petróleo estrangeiro. Atualmente, o petróleo representa 38% do consumo energético nos EUA, valor inferior ao registrado em décadas passadas, evidenciando que a economia americana é menos vulnerável a choques externos no mercado de energia.
Considerações finais sobre a estratégia de Trump e o mercado petrolífero
Mesmo com o entusiasmo de Donald Trump em relação ao petróleo venezuelano, a realidade econômica e política indica que essa visão é pouco prática. As dificuldades para extrair, comercializar e controlar esse recurso nos moldes defendidos pelo presidente tornam a estratégia arriscada e pouco atraente para investidores e para a economia americana. Assim, é provável que as empresas dos EUA continuem priorizando a produção doméstica e fontes energéticas mais seguras e econômicas para abastecer o país no futuro próximo.
Fonte: www.theguardian.com
Fonte: Rita Liu/The Guardian/Getty Images
