A TV Globo decidiu cancelar o debate presidencial que ocorreria na noite de quinta-feira (1º) e, em seu lugar, exibiu o filme Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa, lançado em 2020. A mudança na programação foi abrupta e surpreendeu os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), que já estavam na emissora quando o comunicado foi feito.
Antes da apresentação do longa-metragem, o canal também transmitiu um capítulo inédito da novela Quem Ama Cuida. A decisão de cancelar o debate foi justificada pela emissora, que afirmou ter recebido duas notificações que impactavam as normas previamente acordadas para o evento.
A primeira notificação foi emitida pela ministra Estella Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que atendeu a um pedido da coligação do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão da ministra impediu a possibilidade de perguntas aos candidatos ausentes e invalidou a regra que previa a presença de um púlpito vazio para aqueles que não comparecessem ao debate. Essa regra, que havia sido assinada por todos os partidos, incluindo o PT, determinava que o espaço reservado aos ausentes fosse mantido vazio, com uma placa identificando o candidato.
A segunda notificação veio do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que exigiu a presença do candidato Renan Santos (Missão) no debate. Mendes ressaltou que a legislação determina que candidatos de partidos com um mínimo de cinco parlamentares no Congresso Nacional devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV.
As normas estabelecidas inicialmente previam que os púlpitos dos candidatos ausentes fossem exibidos vazios, mas a determinação da ministra Estella também proibiu a emissora de permitir perguntas direcionadas a quem não comparecesse. Essa mudança foi considerada essencial para evitar o desequilíbrio entre os participantes, já que os ausentes não teriam a oportunidade de responder ou se contrapor a questões levantadas no debate.
A TV Globo ressaltou que a decisão da ministra invalidou as regras que já haviam sido estabelecidas e acordadas entre os candidatos, complicando a realização do debate programado. O cancelamento levanta questões sobre a dinâmica das próximas eleições e o papel dos debates na formação da opinião pública.