Quem acompanhou as redes sociais na última semana certamente viu a quantidade de
fotos pessoais e de decoração mostrando como cada um seria nos anos 80. Alguns
foram além e, aproveitando o embalo, fizeram uma viagem por outras décadas.
Isso me fez pensar em hábitos antigos que, aos poucos, foram se perdendo,
especialmente com a chegada do digital à nossa vida.
É inegável que a tecnologia trouxe avanços extraordinários. A rapidez da internet, a
chance que se tem de saber em poucos segundos o que acontece do outro lado do
mundo e o acesso ampliado a dados e informações representam um grande salto no
conhecimento e nas possibilidades.
Ao mesmo tempo, precisamos ser criteriosos naquilo que vemos, ouvimos, recebemos e
acreditamos. Ser seletivo tornou-se quase uma necessidade cotidiana. Mas é justamente
nesse mundo cada vez mais digital que alguns hábitos merecem ser preservados.
Um deles é simples, delicado e cheio de significado: escrever à mão um pequeno cartão
para acompanhar um presente ou uma lembrança que oferecemos a alguém.
Falamos algumas vezes, quando tratamos de etiqueta, que ao sermos convidados para
um encontro é delicado levar um pequeno mimo para quem nos recebe. Pode ser um
chocolate, um doce, algo preparado por nós mesmos, um aromatizador ou uma bebida.
O valor está menos no presente e muito mais na demonstração de carinho e na
satisfação de participar daquele momento.
E esse gesto pode ganhar ainda mais significado quando acompanhado de um pequeno
cartão escrito à mão.
É um hábito que algumas pessoas ainda cultivam, mas que tantas outras acabaram
esquecendo. E ele tem um encanto próprio, mesmo que a mensagem se limite a poucas
palavras e uma assinatura. Afinal, escrever um cartão exige pensar naquela pessoa, na
ocasião e escolher, entre tantos desejos, o que realmente queremos dizer.
Para quem recebe, isso faz toda a diferença. O cartão demonstra carinho e atenção e
revela que, além de escolher o presente, dedicamos alguns minutos para escrever algo
especialmente para aquela pessoa.
E há também uma delicadeza no momento de recebê-lo: o ideal é ler o cartão antes de
abrir o presente e agradecer com um sorriso, uma palavra ou até um abraço.
Num mundo em que mensagens rápidas, eletrônicas e digitais praticamente dominam
nossa comunicação, às vezes é até difícil encontrar um cartão e um envelope para
escrever uma pequena mensagem. Por isso, mantenho em casa uma pequena caixa com
cartões brancos. Assim, quando vou entregar um presente, mesmo que simples, tenho à
mão o que preciso para registrar meu carinho.
Não demanda muito tempo. É uma pausa para pensar em alguém e transformar um
sentimento em palavras.
Faço uso diário do digital e reconheço tudo o que ele nos proporciona. Mas talvez seja
justamente por isso que eu valorize ainda mais certos gestos que não precisam de tela,
teclado ou conexão.
Parte do meu coração permanece analógica. E acredito que escrever cartões faz parte
disso.
Mônica Cecilio – @magiadamesa
