Usa intensificam discurso sobre controle de Groenlândia e geram alerta internacional

CNBC

Ex-presidente da Islândia adverte que tentativa americana de tomar Groenlândia pode causar consequências históricas e diplomáticas graves

Ex-presidente da Islândia alerta para consequências históricas caso os EUA tentem controlar a Groenlândia, enquanto diplomatas debatem o futuro da ilha.

Contexto da disputa pelo controle de Groenlândia envolvendo os Estados Unidos

O controle de Groenlândia tornou-se um tema central em discussões diplomáticas recentes, especialmente em 15 de janeiro de 2026, quando representantes dos Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia se reuniram para debater a soberania da maior ilha do mundo. O presidente Donald Trump reforçou sua retórica afirmando que qualquer alternativa que não envolva a incorporação da ilha pelos EUA seria “inaceitável”. Por outro lado, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, deixou claro que, caso fosse preciso escolher, a ilha optaria pela Dinamarca. O ex-presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimsson, figura central e respeitada em assuntos árticos, alertou para as graves consequências políticas e diplomáticas que uma ação americana poderia desencadear.

Análise das advertências do ex-presidente islandês Olafur Ragnar Grimsson

Olafur Grimsson enfatizou a possibilidade de uma crise sem precedentes no cenário internacional caso os Estados Unidos tentem tomar a Groenlândia por força. Segundo ele, “o impacto seria monumental e sem paralelo na memória recente”. Grimsson, que liderou a Islândia por duas décadas e atualmente preside o Fórum do Círculo Ártico, destacou que essa movimentação poderia fragilizar alianças ocidentais e alterar a ordem global. Ele também questionou o fundamento estratégico da ação, apontando que os EUA já possuem ampla capacidade e presença no Ártico, inclusive com território próprio, e que a expansão deveria passar pelo fortalecimento doméstico e não pela anexação de territórios autônomos.

Avaliação das ameaças geopolíticas de China e Rússia na região do Ártico

O ex-presidente islandês minimizou os receios de que China e Rússia representem uma ameaça direta e imediata em Groenlândia ou no Ártico como um todo. Embora reconheça a presença chinesa em atividades econômicas no setor ártico russo, como mineração e exploração energética, Grimsson afirmou que nem China nem Rússia exercem influência significativa nos setores árticos da América do Norte e dos países nórdicos. Essa avaliação contrasta com a narrativa que fundamenta o discurso americano para justificar o interesse estratégico na ilha e ressalta a importância de avaliar as reais dinâmicas regionais antes de tomar decisões drásticas.

Implicações estratégicas e econômicas da disputa pela Groenlândia

O interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia está ligado a fatores estratégicos, incluindo segurança nacional, controle de rotas marítimas no Ártico e recursos naturais. No entanto, o ex-líder islandês questiona os benefícios concretos dessa anexação, ressaltando que não há atualmente barreiras que impeçam a presença americana na ilha sob os acordos existentes com a Dinamarca e o governo local. Ele também destacou a ausência de investimentos americanos na infraestrutura ártica, como portos e quebra-gelos, como um ponto crítico que poderia ser priorizado para melhorar a posição dos EUA na região.

Influência da mentalidade empresarial na política externa americana sobre a Groenlândia

Grimsson sugeriu que a fixação do presidente Donald Trump pela aquisição territorial pode ser influenciada por sua formação e experiência no mercado imobiliário. Segundo ele, a visão focada em propriedades e localizações específicas pode estar moldando a política externa americana de maneira incomum para líderes globais. Esse atributo pode explicar a insistência em “adquirir” a Groenlândia como um ativo estratégico, mesmo diante das complexidades políticas, diplomáticas e históricas que envolvem a ilha e seus habitantes.

Consequências políticas e cenário futuro para a disputa em torno de Groenlândia

Embora uma ação militar dos EUA seja teoricamente possível devido ao desequilíbrio de força e à pequena população da Groenlândia, Grimsson advertiu que o custo político seria altíssimo e potencialmente devastador para a reputação e para as relações internacionais americanas. O impasse nas negociações entre os governos americano, dinamarquês e groenlandês indica que o debate deve continuar, mas o alerta para os riscos envolvidos torna evidente que a questão ultrapassa interesses estratégicos e envolve valores diplomáticos e éticos que moldam a ordem internacional contemporânea.

Fonte: www.cnbc.com

Fonte: CNBC

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