O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou uma drástica revisão nas vendas de carne bovina para exportação, reduzindo os números divulgados na quinta-feira passada em 90%. O total líquido de 12.064 toneladas de carne bovina vendidas a compradores internacionais representa uma queda significativa em relação ao que havia sido informado anteriormente.
Essa alteração gerou novas incertezas sobre a confiabilidade dos dados apresentados pela agência, especialmente após cortes de pessoal que ocorreram na reestruturação do governo federal sob a administração Trump. Operadores do mercado, por sua vez, já demonstravam desconfiança em relação aos dados iniciais, considerando-os imprecisos.
As preocupações com a qualidade das informações do USDA aumentaram após a agência subestimar a área plantada de milho no ano passado. Além disso, a instituição adiou a divulgação de um relatório trimestral sobre o comércio agrícola e excluiu informações que indicavam que as tarifas poderiam ser um fator contribuinte para um aumento no déficit comercial agrícola, levantando dúvidas sobre a objetividade de suas análises.
Em um relatório semanal publicado em 2 de julho, o USDA havia inicialmente indicado que as vendas de carne bovina para 2026 atingiram 126.062 toneladas na semana encerrada em 25 de junho, um aumento chocante de quase 500% em comparação com a semana anterior. No entanto, analistas rapidamente questionaram essa elevação, uma vez que incluía vendas para países que superavam em muito o volume que esses mesmos países já haviam adquirido anteriormente dos Estados Unidos.
Amy Harding, especialista em vendas de exportação do USDA, reconheceu que a agência havia confirmado os números com uma empresa exportadora. Austin Schroeder, analista da Brugler Marketing & Management, comentou que o USDA deveria ter identificado as inconsistências nos dados, sugerindo que houve falhas no processo de verificação das informações.
Além disso, no primeiro semestre do ano passado, o Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA, responsável pelos relatórios de vendas de exportação, viu sua força de trabalho reduzida em cerca de 21%. Esse contexto de cortes no quadro de funcionários pode estar diretamente relacionado às dificuldades enfrentadas pela instituição na precisão dos dados que fornece ao mercado.