Uso de drones se intensifica entre organizações criminosas na América Latina

A recente "Operação Contenção" nas comunidades do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, expôs a crescente utilização de drones por organizações criminosas. Durante a ação, que mobilizou cerca de 2.500 policiais e militares, um ataque com bomba, aparentemente lançado de um drone, chamou a atenção para a evolução da tecnologia no crime organizado. A operação resultou em um intenso tiroteio e deixou dezenas de mortos, evidenciando o desafio que as forças de segurança enfrentam em relação a esse novo fenômeno.

Um relatório da ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project) aponta que desde 2018, foram registrados aproximadamente 670 incidentes que envolveram drones armados na América Latina. Destes, mais de 72% ocorreram entre 1º de janeiro de 2025 e 21 de agosto de 2026. Esse aumento é particularmente preocupante, pois demonstra como essa tecnologia tem sido adotada por grupos criminosos em diversas operações, especialmente No México e Na Colômbia.

A Marinha e o Ministério da Defesa do México confirmaram um aumento significativo nas apreensões de drones armados no último ano, indicando uma onda de ataques que tem gerado grande preocupação nas autoridades. Na Colômbia, o novo governo enfrenta o desafio de lidar com grupos armados que utilizam drones em suas ações, refletindo uma mudança significativa nas táticas empregadas por essas organizações.

Historicamente, os primeiros registros do uso de drones para atividades ilícitas na América Latina datam de sua utilização em presídios No Brasil. Os dispositivos, que inicialmente serviam para a entrega de mensagens e pequenos pacotes, substituíram métodos mais tradicionais, como os pombos-correio, oferecendo maior eficiência e alcance.

Os drones não apenas facilitam operações criminosas, mas também têm um impacto psicológico sobre a população. Especialistas como David Mora afirmam que a presença desses aparelhos tem gerado um clima de medo nas comunidades, com relatos de que o simples som de um drone provoca pânico entre os moradores. Em regiões do México, essa intimidação se tornou comum, com os cidadãos vivendo em constante alerta.

A crescente utilização de drones no crime organizado levanta questões sobre como os governos podem responder a essa nova realidade. Paddy Ginn sugere que não existe uma solução única, e que as respostas devem incluir regulamentação, detecção, interdição e cooperação em todos os níveis de segurança pública. Para ele, é crucial entender que os drones são parte de um fenômeno mais amplo de inovação criminosa e que as estratégias devem considerar esse contexto.

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