César Justino enfrenta desafios para reconstruir a vida após deportação dos Estados Unidos
César Justino, deportado dos EUA, luta para recomeçar no Brasil após quatro meses detido e ausência de apoio estatal.
Quando César Diego Justino, corretor de imóveis de 40 anos, desembarcou no Aeroporto Internacional de Fortaleza em fevereiro de 2025, ajoelhou-se e beijou o chão brasileiro — um gesto que marcou o fim do sonho americano para ele e simbolizou o peso das políticas migratórias adotadas pelo governo Trump. Quase um ano depois, a vida de César no Brasil é marcada por desafios para recomeçar, prejuízos financeiros e um sentimento de abandono pelo Estado.
A travessia e o sonho interrompido
Movido pelo desejo de buscar uma vida melhor, César deixou o Brasil em agosto de 2024, escolhendo uma rota que atravessou diversos países da América Central – Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala e México – até alcançar a fronteira dos Estados Unidos. Diferente de muitos migrantes que dependem de atravessadores, ele e um primo enfrentaram a jornada por conta própria, ouvindo relatos dolorosos sobre o sofrimento de outros migrantes, especialmente venezuelanos.
Ao chegar ao Texas, César solicitou asilo. Detido em um centro de detenção por quatro meses, ele descreve condições materiais básicas, mas relata o processo judicial marcado pela exigência de documentos que não conseguiu apresentar a tempo, encerrando seu pedido por “abandono”.
Falta de suporte do consulado e do Estado brasileiro
Durante a detenção, César não teve contato eficaz com o consulado brasileiro, apontando uma estrutura precária de atendimento e um sentimento constante de desamparo. Após ser deportado em um voo da era Trump 2.0, que partiu do estado de Louisiana, a recepção no Brasil ofereceu kits de higiene e apoio inicial, mas a assistência cessou rapidamente, deixando-o sem orientação sobre documentação, emprego ou políticas públicas.
Impactos financeiros e emocionais
O prejuízo financeiro ultrapassa R$ 100 mil, valor gasto na tentativa de realizar o sonho americano. Apesar da estabilidade atual ao trabalhar como corretor de imóveis e em uma concessionária de energia em Goiás, César carrega as marcas emocionais do processo, principalmente a sensação de rejeição e abandono pelo governo brasileiro.
Medidas governamentais e resposta institucional
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) informa que acompanha relatos de brasileiros deportados desde 2025 e instituiu o Programa Aqui é Brasil para acolhimento humanitário e integração socioeconômica dos repatriados. Contudo, denúncias apontam lacunas no apoio efetivo e na atuação articulada entre órgãos como o Ministério das Relações Exteriores.
Reflexões sobre o retorno e o futuro
Hoje, César não pensa mais em deixar o Brasil e aconselha que o caminho para o sonho americano deve seguir rotas legais para evitar sofrimento e humilhação. Sua história evidencia que a deportação não representa o fim da jornada migratória, mas o começo de uma luta silenciosa para a reintegração social, especialmente quando políticas públicas estruturadas são insuficientes para amparar esses indivíduos.
Fonte: www.metropoles.com