Violência digital contra a mulher: Aumento de penas avança na CCJ

Comissão de Direitos Humanos aprova projeto que agrava sanções para crimes digitais.

Projeto que aumenta penas para crimes de violência digital contra mulheres avança na CCJ.

A proposta de lei que visa aumentar as penas para crimes de violência digital contra a mulher obteve aprovação na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, marcando um passo significativo na luta contra a violência de gênero no ambiente virtual. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) é a autora do PL 1.033/2025, que agora segue para a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Contexto da Violência Digital

A violência digital é uma forma crescente de ataque contra a dignidade e a segurança das mulheres, manifestando-se de diversas maneiras, incluindo cyberbullying, stalking e assédio sexual online. A legislação brasileira anterior não era suficientemente rigorosa para enfrentar esses crimes, o que gerou uma lacuna na proteção das vítimas. Este projeto visa preencher essa lacuna, ajustando o Código Penal e endurecendo as penas para as infrações cometidas através da internet.

Detalhes do Projeto

O projeto propõe várias alterações no Código Penal, promovendo o aumento de penas para crimes digitais específicos:

O crime de cyberbullying poderá ter a pena aumentada em 50% se a vítima for mulher.
A pena para stalking, que atualmente vai de seis meses a dois anos, será elevada em dois terços quando cometido pela internet contra mulheres.
Em casos de violência psicológica, a sanção passará a ser de um a dois anos, com aumento em dois terços se perpetrado online.
A invasão de dispositivos informáticos, cujas penas variam de três meses a um ano, também terá um aumento de um terço a metade se a vítima for mulher.
O assédio sexual online terá seu máximo ampliado para um terço se a infração ocorrer pela internet.
Para a divulgação não autorizada de imagens íntimas, o projeto estabelece penas de um a cinco anos de reclusão, aumentando conforme a gravidade da situação.

Além disso, a proposta determina que o juiz deve agir rapidamente para remover qualquer conteúdo ofensivo da internet em até 24 horas, sob pena de responsabilização legal.

Impacto e Considerações Futuras

O senador Styvenson Valentim (PSDB-RN), responsável pela análise do projeto na CDH, enfatizou a necessidade de endurecer a legislação frente à crescente incidência de violência digital. Embora o aumento das penas seja um passo positivo, ele também ressaltou a importância da aplicação efetiva da lei, destacando que a falha na proteção das vítimas frequentemente reside na execução das medidas já existentes.

Valentim propôs três emendas ao projeto, uma das quais sugere a tipificação do crime de fornecer produtos ou serviços de tecnologia que auxiliam na prática de violência digital contra mulheres. Essa medida busca responsabilizar também empresas que não monitoram o uso de suas plataformas para práticas de violência.

Conclusão

O avanço desse projeto de lei representa um comprometimento do Senado em fortalecer a proteção às mulheres, refletindo a urgência de se adaptar a legislação a novas realidades sociais e tecnológicas. Com a crescente digitalização das interações humanas, é essencial que a legislação acompanhe esses avanços, garantindo a segurança e dignidade das mulheres no ambiente virtual.

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: