Volta à Lua: riscos para o corpo humano em novas missões

Análise dos efeitos da microgravidade e radiação nas futuras viagens espaciais

Entenda os desafios físicos e psicológicos das missões à Lua e os riscos para os astronautas.

A exploração lunar está prestes a dar um novo passo significativo com a Nasa se preparando para a missão Artemis II, que levará humanos de volta à Lua após mais de cinquenta anos. Essa missão, além de ser um marco histórico, levanta questões cruciais sobre os impactos que uma viagem a um ambiente tão hostil pode ter sobre o corpo humano. A microgravidade, a radiação e os efeitos psicológicos do confinamento são alguns dos principais obstáculos a serem enfrentados pelos astronautas.

Os Desafios Fisiológicos da Microgravidade

Um dos maiores desafios que os astronautas enfrentarão é a microgravidade. Segundo o neurologista Thiago Taya, a gravidade terrestre influencia a distribuição de fluidos no corpo, o que resulta em mudanças significativas durante a viagem. No espaço, os fluidos corporais se redistribuem, o que pode causar alterações na pressão interna do corpo, afetando funções vitais como a circulação sanguínea e até mesmo sentidos como paladar e olfato.

Além disso, a ausência de gravidade pode provocar a perda de densidade óssea. Estudos indicam que os astronautas podem perder até 2% da densidade óssea por mês, um ritmo comparável ao de anos de osteoporose na Terra. Isso é especialmente crítico para áreas que sustentam o peso do corpo, como pernas e costas. A perda de massa muscular também é alarmante, podendo alcançar níveis de 20%, comprometendo a recuperação ao retornar à gravidade terrestre.

Os Perigos da Radiação Espacial

Outro fator preocupante é a radiação no espaço profundo, que é mais intensa e penetrante do que a que estamos acostumados na Terra, devido à proteção do campo magnético. O geobiologista Douglas Galante destaca que a exposição prolongada à radiação pode danificar neurônios, estar associada a problemas de memória e afetar a capacidade de concentração e tomadas de decisões. Além disso, a radiação pode acelerar processos neurodegenerativos, impactando não apenas o sistema nervoso, mas a saúde geral dos astronautas.

Impactos Psicológicos e Preparação

Os efeitos psicológicos não podem ser ignorados. O confinamento em um espaço reduzido e a falta de ciclos naturais de dia e noite afetam o sono, o humor e a concentração. O que os especialistas chamam de “efeito overview” – a transformação da percepção ao observar a Terra de longe – pode causar desconforto emocional e desafios psicológicos significativos.

Para preparar os astronautas para esses desafios, a Nasa realiza avaliações médicas e psicológicas rigorosas antes do lançamento. Durante a missão, eles seguem uma rotina de exercícios, alimentação cuidadosamente planejada e monitoramento contínuo dos sinais vitais. Existe também um acompanhamento psicológico remoto, que é crucial para lidar com os desafios emocionais e mentais que surgem durante a missão.

O Futuro da Exploração Espacial

Apesar dos riscos associados a essas missões, Galante ressalta que a ciência avança rapidamente para mitigar esses desafios. A exploração espacial continua a ser fundamental, pois muitas tarefas ainda requerem a presença humana. A Nasa e outras agências espaciais estão comprometidas em tornar futuras viagens mais seguras e eficazes. A missão Artemis II não é apenas um retorno à Lua, mas uma oportunidade para entender melhor como o corpo humano responde a condições extremas e como podemos superar esses desafios para a exploração do espaço profundo.

Fonte: www.metropoles.com

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