Análise das expectativas para as ações dessas gigantes em um cenário de crise financeira.
Apesar de serem vistas como defensivas, Walmart e McDonald's podem não ser seguras em uma nova crise financeira.
Em 2008, durante a crise financeira, Walmart e McDonald’s se destacaram como as únicas ações do índice Dow Jones a registrar altas, enquanto o mercado enfrentava uma tempestade. Entretanto, o cenário atual é bem diferente e as expectativas em relação a esses gigantes do varejo podem não ser tão otimistas quanto no passado. Neste contexto, é crucial entender por que essas empresas, que historicamente são vistas como refúgios em momentos de turbulência econômica, podem não oferecer a mesma segurança para os investidores em um futuro colapso.
O papel defensivo de Walmart e McDonald’s na crise de 2008
Historicamente, marcas como Walmart e McDonald’s se beneficiam de períodos de recessão, uma vez que os consumidores tendem a se voltar para opções mais acessíveis. Durante a crise de 2008, ambas as empresas não apenas se mantiveram estáveis como também conseguiram registrar ganhos. Walmart, por exemplo, teve um aumento de 3,37% em suas ações, enquanto McDonald’s avançou 2,32%. Essas performances destacaram a resiliência dessas corporações em tempos difíceis, fazendo com que muitos investidores as vissem como apostas seguras em investimentos defensivos.
Entretanto, a situação atual apresenta um panorama diferente. Desde aquela crise, tanto Walmart quanto McDonald’s viveram um período de crescimento significativo, o que levou a uma valorização considerável de suas ações. Walmart, por exemplo, viu seu preço por ação triplicar, passando de um múltiplo de 16,5 vezes os ganhos em 2008 para 45 vezes atualmente. Essa expansão em sua avaliação, embora possa ser vista como um sinal de força, também implica que a margem para uma possível queda em um mercado de baixa está bastante reduzida.
Desafios atuais que podem impactar a performance
Atualmente, as condições econômicas e os desafios enfrentados por essas empresas são distintos dos de 2008. A inflação crescente e a mudança nos hábitos de consumo têm pressionado o desempenho de corporações tradicionais. No caso de Walmart, embora a empresa tenha se beneficiado da demanda por produtos de baixo custo, a elevação de sua avaliação não oferece o mesmo nível de proteção em um cenário de crise. O baixo retorno dividido de 0,7% também não gera a segurança esperada para investidores com foco em renda.
Por sua vez, McDonald’s enfrenta um conjunto de desafios específicos que podem impactar sua base de clientes. A crescente popularidade de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic, tem feito com que consumidores busquem alternativas mais saudáveis, o que pode reduzir ainda mais o tráfego nas lojas de fast food. Isso se reflete nas vendas da empresa, que já mostraram um declínio de 3,6% nas vendas em mesma loja nos EUA, enquanto seus principais concorrentes, como Wendy’s, enfrentaram quedas acentuadas ainda maiores.
Expectativas para o futuro e o impacto nas decisões dos investidores
Diante desse cenário, é prudente que os investidores reavaliem suas estratégias. A valorização elevada das ações de Walmart e McDonald’s, aliada aos novos padrões de consumo e à inflação, sugere que essas empresas podem não ser os refúgios seguros que foram no passado. Em vez disso, os investidores devem considerar alternativas que ofereçam um melhor equilíbrio entre valor e potencial de crescimento, especialmente em um ambiente onde a incerteza econômica é palpável.
Ambas as corporações são reconhecidas por sua capacidade de operar com eficiência em mercados desafiadores. No entanto, as avaliações atuais, inflacionadas e os desafios únicos que enfrentam podem torná-las opções de investimento menos atraentes para aqueles que buscam segurança em tempos de volatilidade. Para investidores que estão pensando defensivamente, é importante lembrar que as empresas que brilharam em 2008 podem não ser as mesmas que prosperarão em crises futuras.