Zelensky avalia com cautela negociações trilaterais entre Ucrânia, EUA e Rússia

Tom Nicholson/Getty Images

Presidente ucraniano valoriza diálogo em Abu Dhabi, mas destaca impasses e desafios para o fim da guerra

Zelensky avalia negociações trilaterais entre Ucrânia, EUA e Rússia com cautela e destaca que desejo de paz precisa surgir também na Rússia.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, analisou com cautela as negociações trilaterais realizadas em Abu Dhabi entre delegações da Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, destacando a importância do diálogo, mas evitando conclusões precipitadas sobre avanços no fim da guerra.

Contexto das negociações em Abu Dhabi

Este encontro representa a primeira reunião nesse formato desde a invasão russa em grande escala em 2022. Zelensky ressaltou que, apesar de ser uma conversa importante por romper um longo período sem diálogos trilaterais, ainda é cedo para avaliar resultados concretos. Segundo ele, “é necessário que não apenas o desejo ucraniano de pôr fim a esta guerra exista, mas que um desejo semelhante nasça de alguma forma na Rússia”.

Composição das delegações e seus objetivos

A delegação ucraniana é liderada pelo ministro da Defesa, Rustem Umerov, incluindo figuras chave como o chefe da inteligência Kyrylo Budanov e o chefe do Estado-Maior General, Andrii Hnatov, que deve juntar-se às conversas nos próximos dias. A Rússia está representada pelo almirante Igor Kostyukov, diretor da inteligência militar, acompanhado exclusivamente por membros do Ministério da Defesa.

Do lado russo, a condição para uma paz duradoura inclui a cessão oficial pela Ucrânia dos territórios ocupados, que englobam cerca de 20% do território reconhecido internacionalmente, incluindo regiões significativas como Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia. Esta exigência é o principal impasse nas negociações, rejeitada pelo governo ucraniano.

A diplomacia paralela entre Rússia e Estados Unidos

Simultaneamente, houve uma reunião significativa entre o enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steve Witkoff, e o presidente russo Vladimir Putin em Moscou. O encontro, classificado pelo Kremlin como “substancial” e “franco”, buscou avançar em uma “única questão” que pode ser central para um potencial acordo. No entanto, autoridades russas alertam para obstáculos significativos ainda existentes.

Desafios para o fim do conflito

O assessor presidencial russo Yury Ushakov reiterou que, sem a resolução da questão territorial, não há base para um acordo de paz definitivo. Moscou mantém sua postura de continuar perseguindo seus objetivos militares no campo de batalha enquanto as negociações prosseguem.

Perspectivas e posicionamentos

Apesar do otimismo expresso por Donald Trump quanto à disposição de Zelensky em aceitar termos para um acordo, a avaliação oficial ucraniana permanece prudente. O presidente Zelensky enfatiza a necessidade de vontade real e conciliatória de ambas as partes para que haja avanços concretos no processo de paz.

Este cenário diplomático complexo evidencia o desafio de conciliar interesses divergentes em meio a um conflito que já perdura por anos, com alta carga simbólica e estratégica para todas as partes envolvidas.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Tom Nicholson/Getty Images

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