Zelensky reconhece divergências com os EUA e exige garantias para segurança ucraniana

Joe Raedle/Getty Images

Presidente da Ucrânia destaca diferendos nas negociações de paz e reforça necessidade de apoio militar e financeiro duradouro

Zelensky admite divergências importantes com os EUA nas negociações sobre a guerra na Ucrânia e enfatiza a necessidade de garantias de segurança duradouras.

Em 16 de janeiro de 2026, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez declarações que evidenciam divergências com os Estados Unidos quanto ao caminho das negociações para o fim da guerra contra a Rússia. Ao lado do presidente da República Tcheca, Petr Pavel, Zelensky admitiu em entrevista coletiva que “não estamos em sintonia em várias questões”, revelando uma tensão diplomática crescente entre Kiev e Washington.

Divergências nas negociações de paz

O reconhecimento público do descompasso ocorre em um momento de intensificação da pressão internacional para a conclusão de um acordo de paz. Críticas recentes de Donald Trump, que atribuiu à Ucrânia parte da responsabilidade pela estagnação nas conversas, ganharam apoio do Kremlin, que passou a alinhar seu discurso com o do ex-presidente americano. Apesar disso, Zelensky reafirma que a Ucrânia está tomando a iniciativa diplomática e agindo com maior rapidez do que a Rússia.

Segurança ucraniana como prioridade máxima

Um dos principais pontos de divergência reside no futuro das Forças Armadas da Ucrânia. Zelensky defende a manutenção de um contingente robusto, estimado em cerca de 800 mil soldados, como essencial para evitar que o conflito se reinicie após um eventual acordo. Ele destacou a necessidade de financiamento externo para sustentar esse exército de forma estável, afirmando que o orçamento nacional não comporta tal despesa.

O presidente ucraniano alertou que, sem o apoio financeiro internacional adequado, o país terá que escolher entre acelerar a reconstrução ou manter um exército forte, uma decisão que criticou como difícil e limitadora para o futuro.

Garantias de segurança permanentes

Zelensky também criticou a dependência excessiva em compromissos pessoais entre líderes mundiais, ressaltando que as garantias de segurança devem ser duradouras e confiáveis, independentemente das mudanças políticas em países como os Estados Unidos ou a Rússia. Para ele, as medidas devem estar arraigadas no povo ucraniano e não sujeitas a alterações conforme os mandatos presidenciais terminem.

“Precisamos ter clareza de que a guerra não recomeçará em um ou dois anos, ou após o fim do mandato do presidente Trump. As garantias devem estar baseadas no povo ucraniano, não em líderes mundiais”, afirmou.

Pressões e perspectivas futuras

As declarações de Zelensky indicam que, embora a Ucrânia deseje o fim imediato do conflito, o processo de paz envolve complexidades profundas, especialmente no que tange à segurança pós-guerra e à reconstrução nacional. A necessidade de recursos financeiros e garantias sólidas reforça o desafio diplomático que Kiev enfrenta para garantir um acordo que não apenas encerre as hostilidades, mas assegure a estabilidade e a soberania do país a longo prazo.

Essa postura mostra a tentativa do governo ucraniano de equilibrar a busca por um cessar-fogo com a preservação dos interesses estratégicos essenciais para sua sobrevivência e independência.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Joe Raedle/Getty Images

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